Governo de SP cogita iniciar vacinação antes do dia 25 de janeiro

Doria afirmou que Estado tem estrutura para antecipar imunização, mas aguarda aval da Anvisa; governo estadual apresentou plano de distribuição das 10,8 milhões de doses da CoronaVac já disponíveis

  • Por Jovem Pan
  • 11/01/2021 13h26 - Atualizado em 11/01/2021 14h05
EFE/EPA/JULIEN DE ROSADoria lembrou que, até agora, o governo federal não divulgou os detalhes do Plano Nacional de Imunização

O governador de São Paulo, João Doria, não descarta que o início da vacinação no Estado comece antes do dia 25 de janeiro. Ele voltou a citar um suposto interesse político do governo federal na vacinação e afirmou que, em São Paulo, “começaremos a vacinar no dia 25 de janeiro. E, se for possível, com respaldo necessário da ciência, da Anvisa, do bom senso e da compaixão, iniciaremos antes. E tomara que o Brasil também comece antes. Mas aqui temos planejamento, estrutura, condições, recursos, matéria-prima e vacinas para iniciar o programa de imunização dos brasileiros de São Paulo. E o que mais desejo é que isso possa ocorrer também aos brasileiros de todo o Brasil”.

Doria lembrou, nesta segunda-feira, 11, que, até agora, o governo federal não divulgou os detalhes do Plano Nacional de Imunização. “Só conhecemos o esboço, os detalhes não. Se levar em conta a densidade demográfica, correto. Se levar a incidência de pessoas infectadas e de mortes, correto. Se levar em conta outros aspectos, incorreto. São Paulo mantém o seu Plano Estadual com início no dia 25 de janeiro. Me pergunto: qual a data de previsão do PNI? Não há. O governo federal não admite que não tem data para o PNI”, completou. Em entrevista coletiva, o governo estadual apresentou os planos de logística e distribuição das 10,8 milhões de doses da CoronaVac já disponíveis no Estado de São Paulo.

Qual o caminho da vacina?

De acordo com o plano apresentado nesta segunda-feira as doses vão sair do Instituto Butantan e seguir aos Centro de Logística. De lá, elas podem ser direcionadas para dois caminhos: direto para 200 municípios com mais de 30 mil habitantes semanalmente ou para 25 centros de distribuição regionais onde 445 municípios vão fazer retiradas semanais. Em seguida, as doses da vacina vão para as 5,2 mil salas de vacinação já existentes, que vão ser ampliadas para 10 mil. Serão utilizadas, também como local de vacinação: escolas, quartéis da Polícia Militar, estações de trem, terminais de ônibus, farmácias e drive thru. O horário de atendimento vai ser de segunda à sexta das 8h às 22h e aos sábados, domingos e feriados das 8h às 18h.

Existem 5,2 mil câmaras de refrigeração disponíveis, com manutenção preventiva feita, e possibilidade de locação de 25 geradores extras. Já foram adquiridas 75 milhões de agulhas e seringas que já estão disponíveis. Mais 20 milhões serão distribuídas na rede e mais 50 milhões terão entrega mensais entre janeiro e agosto. Cerca de 52 mil profissionais da saúde estarão disponíveis para preparo e organização das salas, aplicação das doses, registro no sistema e outras atividades necessárias. O plano de logística do Estado é capaz de distribuir 2 milhões de doses da CoronaVac por semana.

Todos os caminhões vão percorrer 70 rotas toda semana — com monitoramento de temperatura, auditoria independente, equipes de apoio e outros requisitos que garantem a segurança das doses. Cerca de 25 mil policiais vão trabalhar na escolta das vacinas e dos locais de armazenamento. Por parte da Segurança Pública, a Força Tática e a Rocam vão auxiliar no deslocamento das vacinas do Instituto Butantan aos Centro de Distribuição e Logística e a escolta de todos os veículos em todas as rotas. Além disso, o Instituto Butantan e os CDLs terão guarda montada e policiamento com apoio de comandos regionais e articulação de guardas municipais.

Nas últimas quatro semanas, o Estado de São Paulo registrou um aumento de 44% nos casos de Covid-19, de 41% nos óbitos pela doença e de 10% nas internações. A ocupação dos leitos de UTI está em 66,7% na Grande São Paulo nesta segunda-feira e em 65% no Estado. A primeira semana epidemiológica do ano (entre 3 e 9 de janeiro) apresentou alta de 63%  dos casos, 49% dos óbitos e 15% nas internações em relação a última semana de dezembro (entre 26 de dezembro e 2 de janeiro). De acordo com o governo estadual, essa é a maior média móvel para casos confirmados e mortes desde agosto.