China confirma visita da OMS para investigar origem da Covid-19

Passados cinco dias desde que a equipe de especialistas internacionais foi impedida de ir ao país por falta de visto, a viagem foi confirmada para próxima quinta-feira, 14

  • Por Bárbara Ligero
  • 11/01/2021 11h15 - Atualizado em 11/01/2021 11h17
EFE/EPA/ROMAN PILIPEY/ArchivoO mercado de peixes de Wuhan teria sido o local com os primeiros casos de Covid-19

A Comissão Nacional de Saúde da China publicou um breve comunicado em seu site oficial nesta segunda-feira, 11, afirmando que o país está “pronto” para receber a equipe de especialistas designada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para investigar a origem da pandemia de coronavírus. “A China e a OMS chegaram a um consenso sobre os arranjos específicos da investigação através de quatro vídeo conferências”, diz o texto. Ainda segundo a nota, a equipe da OMS será acompanha por especialistas chineses especificamente em Wuhan, cidade onde o surto de Covid-19 teve início. Através do Twitter, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, comemorou o anúncio e afirmou que a equipe chegará na China na próxima quinta-feira, 14.

A confimação da viagem acontece cinco dias depois de Ghebreyesus expressar o seu desapontamento pelo fato dos especialistas ainda não terem recebido a autorização necessária para entrar na China. Na ocasião, dois membros da equipe já tinham iniciado sua viagem ao país e foram obrigados a voltar para casa devido à falta de vistos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse que a situação foi um “mal-entendido” e reiterou que “nunca houve nenhum problema de cooperação” entre as partes. Ela justificou que a visita ainda estava sendo preparada pela OMS e pelo governo chinês.

Composta por cientistas da Alemanha, Austrália, Catar, Dinamarca, Estados Unidos, Holanda, Japão, Reino Unido, Rússia e Vietnã, a equipe tem como objetivo encontrar a origem animal do Sars-Cov-2 e descobrir qual foi o seu canal de transmissão para os humanos. Sob uma chuva de acusações de ter sido a responsável pela pandemia de coronavírus, que custou mais de 1,8 milhão de vidas, a China tem utilizado a sua imprensa oficial para promover uma narrativa em que o surto teve início com alimentos congelados provenientes de outros países do mundo. Além disso, no final de dezembro a China condenou a quatro anos de prisão a jornalista Zhang Zhan, que noticiou sobre o começo da propagação do coronavírus em Wuhan. A organização Chinese Human Rights Defenders acredita que a sentença tem como objetivo “silenciar outras pessoas que testemunham o que aconteceu na cidade”.