Guedes: ‘Foi entrada perigosa’ a crítica pública de Bolsonaro ao Renda Brasil

Ministro considera reação do presidente como ‘instinto político’ e afirma que nova versão do substituto do Bolsa Família será apresentada nos próximos dias

  • Por Gabriel Bosa
  • 28/08/2020 18h49 - Atualizado em 28/08/2020 19h01
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoGuedes faz alusão a lance de futebol para explicar 'puxão de orelha' de Bolsonaro

A crítica pública do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao projeto do Renda Brasil apresentado pela equipe econômica nessa semana foi considerada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como uma “entrada perigosa”. Guedes afirmou que a reclamação do presidente foi uma reação de “instinto político”, e que as conversas para a definição do projeto estão em andamento. “Eu falei para ele: ‘foi uma entrada perigosa, ainda bem que não foi na área, se não era pênalti”, disse o ministro, em apresentação no seminário online do Instituto Aço Brasil na tarde desta sexta-feira, 28.

Em uma evento na cidade de Ipatinga (MG), nesta quarta-feira, 26, Bolsonaro afirmou que o projeto substituto ao Bolsa Família estava suspenso. “Ontem discutimos a possível proposta do Renda Brasil. E eu falei ‘está suspenso’, vamos voltar a conversar. A proposta, como a equipe econômica apareceu para mim não será enviada ao Parlamento. Não posso tirar de pobres para dar a paupérrimos. Não podemos fazer isso aí.” A equipe econômica havia se comprometido a entregar um novo projeto nesta sexta, porém, segundo Guedes, as negociações ainda estão em andamento e a nova proposta deve ser apresentada nos próximos dias.

O ministro afirmou que a preocupação do governo é não gerar vácuo no reforço de renda aos mais vulneráveis com o fim do auxílio emergencial, previsto para dezembro. “Seja a prorrogação do auxílio emergencial ou a aterrissagem direta do Renda Brasil, não pode cair do benefício de R$ 600 para uma interrupção abrupta”, afirmou. Nas últimas semanas, Bolsonaro confirmou que a transferência de renda aos mais vulneráveis será mantida até o fim do ano, mas com valor reduzido. A proposta também é estudada pelo governo e precisará ser aprovada pelo Congresso.