Índia libera exportação de vacina de Oxford para o Brasil

Ministério da Saúde estima que lote do imunizante fabricado pelo Instituto Serum chegará ao aeroporto de Guarulhos até o fim da tarde desta sexta-feira, 22

  • Por Jovem Pan
  • 21/01/2021 16h02 - Atualizado em 21/01/2021 17h00
02/12/2020 - Foto: CADU ROLIM/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOChegada das vacinas é fundamental para a continuidade da imunização no Brasil

O governo indiano liberou a exportação comercial de 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca contra a Covid-19 e fabricado pelo Instituto Serum, da Índia, maior produtor mundial de imunizantes. A informação foi confirmada à Jovem Pan pelo Ministério da Saúde. A expectativa da pasta é que o lote chegue ao aeroporto de Guarulhos até o fim da tarde desta sexta-feira, 22. A carga será transportada em voo da companhia aérea Emirates. Na manhã desta quinta-feira, 21, um incêndio atingiu a sede do instituto indiano, e cinco pessoas morreram. O fogo, no entanto, não afetou as vacinas. “O Ministério da Saúde informa que as 2 milhões de doses da AstraZeneca devem chegar ao Brasil nesta sexta-feira, 22, no fim da tarde. A carga vinda da Índia será transportada em voo comercial da companhia Emirates ao aeroporto de Guarulhos e, após os trâmites alfandegários, seguirá em aeronave da Azul para o aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de janeiro”, diz em nota.

Na tarde desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro cumprimentou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pelo anúncio do envio das doses ao Brasil. “O governo da Índia liberou as exportações de vacinas contra a Covid-19, e as primeiras remessas serão enviadas nessa sexta-feira para o Brasil e Marrocos, disse o secretário de Relações Exteriores da Índia. Meus cumprimentos ao Itamaraty, Ernesto Araújo e servidores pelo trabalho realizado”, disse Bolsonaro em seu perfil no Twitter. No início da semana, a Índia anunciou a exportação de vacinas para Bangladesh, Butão, Ilhas Maldivas, Ilhas Seychelles, Mianmar e Nepal.

O governo Bolsonaro vinha enfrentando dificuldades para acertar a liberação das doses. A vacinação no Brasil foi iniciada no domingo, 17, pelo governo do estado de São Paulo – até o momento, o país dispõe apenas de 6 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Em coletiva de imprensa na segunda-feira, 18, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que não havia um prazo definido para o envio dos imunizantes. Nesta quarta-feira, 20, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, negou, em uma audiência na Câmara dos Deputados, que o impasse estava sendo causado por questões políticas. “Em relação ao prazo para entrega das vacinas que estamos importando da Índia, eu não posso mencionar agora um prazo, mas queria reiterar que está bem encaminhado e que estou conduzindo pessoalmente as conversações com as autoridades da Índia”, disse. Procurado, o Ministério da Saúde não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Como a Jovem Pan mostrou, governadores protocolaram um ofício, nesta quarta-feira, 20, pedindo que o presidente Jair Bolsonaro adotasse “diálogo diplomático” com Índia e China visando “assegurar a continuidade do processo de imunização no país”. “Os governadores dos Entes Federados brasileiros que subscrevem este expediente dirigem-se a Vossa Excelência a fim de tratar da premente necessidade de manutenção do fornecimento externo dos insumos empregos na produção de vacinas contra a Covid-19 no Brasil. Nesse sentido, solicitam a essa Presidência que seja avaliada a possibilidade de estabelecimento de diálogo diplomático com os governos dos países provedores dos referidos insumos, sobretudo China e Índia, para assegurar a continuidade do processo de imunização no país”, diz o documento. Entre os governadores, há o temor de que a vacinação seja interrompido pela falta de insumos necessários para a produção das vacinas.