Butantan envia pedido de uso emergencial para mais 4,8 milhões de doses da CoronaVac

Análise deverá ser mais célere em virtude dos dados já terem sido analisados pela Anvisa; a partir da aprovação, a instituição poderá iniciar produção própria do imunizante

  • Por Jovem Pan
  • 18/01/2021 14h05 - Atualizado em 18/01/2021 14h39
ELIANE NEVES/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 17/01/2021 O governador João Doria afirmou que a CoronaVac é a "vacina do Brasil"

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 18, que o Instituto Butantan enviou, nesta manhã, um novo pedido de uso emergencial para mais um lote da CoronaVac à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O novo lote de 4,8 milhões de vacinas corresponde a doses produzidas pelo próprio Butantan. Neste domingo, 18, após a aprovação do uso emergencial pela Anvisa, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, esclareceu que o uso emergencial foi aprovado para as doses importadas da vacina. Em nota, a agência informou que recebeu a documentação do segundo pedido, que já passa por análise e checagem nesta segunda.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, explicou que as solicitações para o uso emergencial das doses importadas e das doses fabricadas pela instituição não foram entregues ao mesmo tempo por pedido da própria Anvisa. A agência pediu para que o Butantan esperasse a finalização do primeiro processo. Para Dimas, a análise deverá ser mais célere em virtude de grande parte dos documentos serem semelhantes e os dados já terem sido analisados pela Anvisa. “Com essa aprovação, o Butantan pode começar a produzir sem a necessidade de novos pedidos à Anvisa”, explica o diretor. Segundo Doria, todas as doses disponíveis e autorizadas pela Anvisa já foram distribuídos ao Ministério da Saúde. “A vacina do Butantan, a vacina do Brasil”, disse o governador. Nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro alfinetou a atuação de Doria pelo imunizante. “A vacina é do Brasil, não é de nenhum governador, não. É do Brasil“, afirmou o presidente.

Assim como no caso da Fiocruz, que aguarda insumos da China para iniciar a produção brasileira da vacina de Oxford/AstraZeneca, o Butantan também aguarda matéria-prima chinesa para dar continuidade à produção da CoronaVac. “O Butantan está se esforçando para ampliar a quantidade de matéria-prima. Nós temos um carregamento de matéria-prima pronta lá na China para ser despachado. O Butantan está aguardando apenas a autorização do governo chinês”, explicou Dimas. A capacidade de produção de 1 milhão de doses por dia pelo instituto depende da disponibilidade dos insumos. “Essa capacidade foi atingida com a matéria-prima disponível e precisamos agora do adicional”, explicou. O contrato com a Sinovac é de 46 milhões de doses, sendo que 6 milhões foram entregues ao governo federal neste domingo, 17. Portanto, o Butantan precisa ainda produzir 40 milhões. O instituto agora depende da autorização de exportação da China. Dimas informou que os insumos já estão prontos e disponíveis na Sinovac desde o começo de janeiro.

O diretor acredita que a nova autorização da Anvisa facilitará a autorização do governo chinês. O governador Doria informou que a vacinação no interior do estado será iniciada nesta segunda. São cinco grandes hospitais do interior de São Paulo que realizarão a campanha: Hospitais das Clínicas de Campinas, Botucatu, Ribeirão Preto e Marília, além do hospital de base de São José do Rio Preto. Os hospitais de Ribeirão Preto, Marília e São José do Rio Preto receberam doses hoje, a partir das 14 horas. Nestes hospitais, a vacinação começará na terça-feira, 19. Além da vacina, seringas, agulhas e equipamentos de proteção individual. As vacinas estão sendo transportadas pelos caminhões refrigerados. O diretor do Butantan enfatizou que o intervalo entre as doses deverá ser de 28 dias, pois esse prazo aumento a eficácia da vacina para até 70%.

Pandemia no Estado de São Paulo

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que a última semana epidemiológica foi a pior em números desde o começo da pandemia. “O número dessa semana reflete a necessidade de sermos muito mais atentos, mas além de uma atenção, atuantes”, disse. O aumento no número de casos de Covid-19 foi de 9% , o aumento no número de internações foi de 12% e do número de óbitos foi de 7% na última semana epidemiológica em relação à semana anterior. “Por tanto, essa foi a pior semana epidemiológica na história da pandemia no estado de São Paulo”, apontou Gorinchteyn. De acordo com ele, adultos e jovens foram os maiores disseminadores do coronavírus. O aumento de casos desta semana epidemiológica frente a última semana de 2020 foi de 77%. O aumento de óbitos foi de 59% e das internações, de 28%. Nesta segunda-feira, a taxa de ocupação dos leitos de UTI no estado de 69,1%. Na Grande SP, é 70,1%.