Pazuello critica Doria por vacinar primeiro brasileiro em SP: ‘Não faremos uma jogada de marketing’

Ministro da Saúde fez um duro pronunciamento contra a ação do governo de São Paulo de iniciar vacinação antes dos outros estados

  • Por Jovem Pan
  • 17/01/2021 16h41 - Atualizado em 17/01/2021 19h38
EDU CHAVES/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 07/01/2021O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, fez pronunciamento após Anvisa liberar o uso emergencial das vacinas

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, fez um pronunciamento neste domingo, 17, após a Anvisa aprovar o uso emergencial de duas vacinas contra a Covid-19: a CoronaVac, fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan, e a de Oxford, desenvolvida pela universidade inglesa em parceria com o laboratório AstraZeneca e produzida no país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Após a aprovação pela agência, a enfermeira Mônica Calazans, que trabalha na linha de frente no Hospital Emílio Ribas, recebeu uma dose da vacina da CoronaVac no Hospital das Clínicas, ao lado do governador de São Paulo, João Doria. A profissional foi a primeira brasileira a receber a vacina contra Covid-19. Em seu pronunciamento, Pazuello fez duras críticas à ação de Doria e afirmou que a imunização em todo o Brasil terá início na próxima quarta-feira, 20, às 10h. A primeira rodada prevê a distribuição das 6 milhões de doeses – duas para cada pessoa.

“Nós temos em mãos, neste instante, tanto as vacinas do Butantan quanto a da AstraZeneca e poderíamos, em um ato simbólico ou em uma jogada de marketing, iniciar a primeira dose em uma pessoa. Mas em respeito a todos os governadores, prefeitos e todos os brasileiros, o Ministério da Saúde não fará isso. Não faremos uma jogada de marketing”, iniciou o ministro após se solidarizar com as famílias das vítimas da doença no país e agradecer o trabalho do Instituto Butantan e da Fiocruz. Em seguida, Pazuello disse que foi determinado que a coordenação do Plano Nacional de Operalização para Vacinação contra Covid-19 seria executada pelo Ministério da Saúde e que quebrar o pacto seria “desprezar a igualdade” entre os estados e os brasileiros.

“Senhores governadores, não permitam movimentos políticos eleitoreiros se aproveitando da vacinação em seus estados”, aconselhou Pazuello. “O nosso único objetivo neste momento tem de ser o de salvar mais vidas e não fazer propaganda própria.” O ministro afirmou que o ato de Doria deverá ser analisado pela Justiça. “Todas as vacinas produzidas pelo Butantan estão contratadas de forma integral e de forma exclusiva para o Ministério da Saúde, para o PNI. Todas, inclusive essa que foi aplicada agora. Isso é uma questão jurídica que não vou responder agora porque é a Justiça que tem que deferir”, afirmou. “Está dado o primeiro passo para a maior campanha de vacinação do mundo contra o coronavírus”, disse. “A vacinação de forma igualitária e simultânea, sem deixar nenhum brasileiro para trás, sem discriminar cor da pele, credo religioso e classe social, tribos e, principalmente, sem dividir o nosso país.”

Segundo o ministro, o departamento logístico do Ministério da Saúde começará a preparação específica dos lotes para cada estado e distrito federal, considerando os grupos prioritários, ainda neste domingo. A quantidade de doses que irão para cada localidade será divulgada hoje pelo Ministério da Saúde. Amanhã, segunda-feira, 18, às 7h da manhã, a distribuição da vacina a todos os estados, com apoio do Ministério da Defesa, por deslocamento aéreo, será iniciada. De acordo com Pazuello, o imbróglio com as doses de Oxford aconteceu por causa do início da vacinação na Índia. “É muito provável que a gente consiga coordenar essa entrega para o começo da semana.”, disse, sem especificar uma data. O ministro também afirmou que a produção de doses pela Fiocruz depende da vinda de insumos da China e, assim como a importação das doses da Índia, esse seria um problema da AstraZeneca, não do Ministério da Saúde. O ministro explicou que a empresa foi contratada e é responsável por fazer esses intermédios.

Sobre a situação de Manaus e a distribuição de doses por unidade federativa, uma taxa de risco foi criada pela pasta. “Determinei ao secretário que incluísse uma taxa de risco dentro da proposta de distribuição justamente para nos avaliarmos e podermos ter a flexibilidade em cima daquele local que está com maior risco”, explicou Pazuello. O ministro também esclareceu que o uso emergencial foi aprovado para as doses importadas de cada vacina. “O Butantan já tem algo em torno de 910 mil doses prontas e tem mais 1,3 milhões na parte de qualidade final de produção. Mas o Butantan ainda não pediu autorização de uso emergencial para essas doses produzidas no Brasil. A autorização emergencial dada pela Anvisa é para as 6 milhões de doses importadas”, enfatizou. “As ações com a AstraZeneca estão sendo bem trabalhadas, já que se ela atrasar na importação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), ela que me entregue a vacina pronta, que já está com o uso emergencial aprovado.”

“A gente ouve muita inverdade. O Ministério da Saúde vem trabalhando junto com o Butantan no desenvolvimento da vacina desde o início. Fomos nós que, por intermédio da Fiocruz, trabalhamos na fase 3 do Butantan. Fomos um dos grandes parceiros para desenvolver a fase 3. Fomos nós que fizemos o desenvolvimento do parque fabril do Butantan para desenvolver a vacina. Fizemos um contrato de convênio de mais de oitenta milhões de reais. Isso em outubro. Você sabia disso?”, perguntou o ministro a um jornalista. “Você sabia que tudo que foi comprado pelo Butantan foi com recursos do SUS? Todas as vacinas? Não foi com um centavo de São Paulo”, afirmou no fim da coletiva. “Quando chegar o meu momento de tomar vacina, se a estratégia for essa, eu tomo agora”, disse o ministro.