‘Luta contra racismo está longe de acabar’, diz Gilmar sobre morte de homem negro em supermercado

Ministro do Supremo Tribunal Federal se pronunciou sobre assassinato, que considerou ‘barbárie’ nas redes sociais nesta sexta-feira e lembrou do Dia da Consciência Negra

  • Por Jovem Pan
  • 20/11/2020 14h55 - Atualizado em 20/11/2020 15h52
Cláudio Marques/Estadão ConteúdoGilmar Mendes se pronunciou nas redes sociais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, se pronunciou nesta sexta-feira, 20, sobre a morte de um homem negro espancado por seguranças de um supermercado na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite desta quinta, 19. Em publicação no Twitter, ele usou a hashtag “Vidas Negras Importam”, que chegou a ficar entre os assuntos mais comentados da rede social. “O Dia da Consciência Negra amanheceu com a escandalosa notícia do assassinato bárbaro de um homem negro espancado em um supermercado. O episódio só demonstra que a luta contra o racismo e contra a barbarie está longe de acabar. Racismo é crime”, afirmou o ministro.

Além de Gilmar Mendes, os ministros Luiz Fux e Luís Roberto Barroso também se pronunciaram sobre o Dia da Consciência Negra nesta sexta. Em fala no Congresso Nacional do Registro Civil, Fux lembrou que o Brasil teve a sociedade escravocrata mais longa do mundo e que a inclusão social é uma forma de resgate histórico. “Temos dever de reparar a chaga moral da escravidão, enfrentar o racismo estrutural (estereótipos e subalternidade) e dar oportunidades de acesso a posições de destaque no setor público e privado”, disse.

O assassinato de João Alberto, espancado até a morte por seguranças de um supermercado da rede Carrefour no bairro Passo D’Areia, na zona norte de Porto Alegre, aconteceu às vésperas do Dia da Consciência Negra. João teria se envolvido em uma discussão com uma funcionária do caixa e dois seguranças foram acionados. Segundo a Brigada Militar, o homem negro foi levado para o estacionamento e espancado. Os dois envolvidos foram presos pela Brigada Militar — um dos suspeitos é PM temporário. Em nota, a corporação afirmou que o PM “não estava em serviço policial, uma vez que suas atribuições são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento”, mas sua conduta será igualmente avaliada “com todos os rigores da lei”.

Ainda na madrugada desta sexta, o Carrefour publicou uma nota e classificou o assassinato como “brutal” e afirmou que o responsável pelo comando da loja será demitido. A empresa disse, ainda, que romperá contrato com a empresa terceirizada responsável pela administração dos seguranças da loja. Até o momento, o Secretário de Segurança do Rio Grande do Sul classificou as imagens como “horripilantes” e a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, classificou as imagens como “chocantes” e expressou “revolta” com o ocorrido.