Mato Grosso: Riva diz que pegou propina de R$ 4 mi em delação

Segundo o delator, o pagamento foi realizado pela Associação Matogrossense de Atacadistas e Distribuidores e a negociação foi conduzida pelo então presidente da entidade

  • Por Jovem Pan
  • 22/11/2020 15h27 - Atualizado em 22/11/2020 15h30
ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDOEx-governador do Mato Grosso, Silval Barbosa foi citado na delação como um dos envolvidos no esquema de propina para aprovação de lei que tratava da carga tributária do ICMS no estado

O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, José Geraldo Riva, afirmou, em mais um trecho de sua delação premiada, que ele, o ex-governador Silval Barbosa e diversos deputados receberam propina de R$ 4 milhões para aprovar a Lei nº 9.855/2012, que tratava da carga tributária do ICMS em operações envolvendo atacadistas e distribuidores. Segundo o delator, o pagamento foi realizado pela Associação Matogrossense de Atacadistas e Distribuidores (AMAD), em cheques que registravam baixos valores, emitidos por várias empresas, e a negociação da propina foi conduzida pelo então presidente da entidade , Sérgio José Gomes. Riva apontou ainda que as ‘discussões técnicas’ sobre o suborno envolveram não só Gomes, mas outros membros da organização, como Sebastião dos Reis Gonçalves (mais conhecido como Tião da Zaeli), Oscar José Soares do Prado e Fernando Mendonça. Xisto Alessandro Bueno, assessor parlamentar da ALMT, também estaria envolvido, segundo a delação, mas sem participar do pagamento de propina.

Em depoimento gravado em vídeo, em referência a uma parcela de R$ 2 milhões, Riva declarou que esteve no gabinete do governador Silval Barbosa, juntamente com o Sérgio, durante as negociações. “Repassamos o valor correspondente a R$ 50%”, disse, acrescentando que embolsou R$ 850 mil. O restante, R$ 1,15 milhão, acabou divido entre deputados estaduais. O colaborador não soube apontar o nome dos parlamentares envolvidos, com exceção de Dilmar Dal Bosco e Gilmar Fabris. “Não posso assegurar quem foram os outros beneficiados, até porque era muito comum que alguns atacadistas do interior repassassem valor direto a deputados, como ocorreu comigo lá em Sinop, no supermercado Machado, quando recebi uma parte desse valor de R$ 850 mil”, explicou Riva.

“O projeto de lei foi aprovado antes do pagamento de propina e até deputados que não receberam qualquer verba ilícita, votaram em favor do segmento, não houve resistência. Jamais foi tratado o quanto os atacadistas deixariam de pagar em tributos”, registra ainda o anexo da delação de Riva. A reportagem busca contato com os citados por Riva. O espaço está aberto para manifestações.

* Com Estadão Conteúdo