Mobilização continua a mesma no governo Temer, diz líder do Vem Pra Rua

  • Por Jovem Pan
  • 11/05/2016 12h49
Rogério Chequer

Líder de um dos movimentos que levou milhões às ruas pela saída de Dilma Rousseff, Rogério Chequer, do Vem Pra Rua, promete, no dia que pode definir o afastamento da presidente, manter a mobilização popular em um possível governo Michel Temer. 

“A mobilização começa da mesma forma que antes. Nós não mudamos no novo governo. Continuamos com a mesma pegada”, disse Chequer em entrevista exclusiva à Jovem Pan. “Sempre com as ruas e os meios digitais”, o movimento defende pautas como a aprovação das “10 medidas contra a corrupção” impetrada no Congresso pelo Ministério Público Federal, a defesa da Lava Jato, reforma política com voto distrital e não obrigatório, educação de qualidade e “seriedade” na política.

Chequer vê o impeachment como um “caso exemplar de apenas um primeiro passo dessa sociedade empoderada”. “Nós não aceitaremos a continuação do fisiologismo que tem sido exercido até hoje”, disse também o líder do Vem Pra Rua. “Precisamos mudar a forma como os políticos fazem política no Brasil”.

Rogério Chequer também entende que “o Brasil mudou” de 1992, quando Fernando Collor de Mello foi impichado da Presidência, para hoje. “O processo de impeachment de Collor teve nascente na parte política, que passou para o povo, que abraçou com muita propriedade”, analisa. “Já esse processo nasceu com o povo”, compara Chequer, e os políticos foram aderindo ao impeachment. “O povo não aceita mais chicanas. O povo agora está empoderado”, discursa. “Na última década estávamos vivendo com uma certa omissão do povo”, avalia o mobilizador popular.

O líder do Vem Pra Rua entende ainda que “vamos enfrentar ciclos” e “as coisas não acontecem linearmente”. “Teremos três vitórias, depois teremos uma derrota”, disse. “Não podemos ganhar todas, mas com a participação do povo vamos conquistar batalhas fundamentais”. Chequer entende que o grupo que comanda ganhou “aprendizado” com os últimos atos contra o governo. “A manifestação do dia 13 de março de 2016 foi decidida no dia 12 de dezembro do ano anterior”, lembra. No final de 2015, lembra o próprio Chequer, a mobilização popular tinha “esfriado”.