Moro presta depoimento na sede da PF em Curitiba

  • Por Jovem Pan
  • 02/05/2020 14h04 - Atualizado em 02/05/2020 15h29
GIULIANO GOMES/ESTADÃO CONTEÚDOManifestantes a favor do ex-ministro e do presidente Jair Bolsonaro estão concentrados em frente à PF desde a manhã de hoje

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro chegou na sede da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para prestar depoimento neste sábado (2) no inquérito que apura as acusações feitas por ele contra o presidente da República, Jair Bolsonaro. O depoimento começou pouco depois das 14 horas.

Segundo a PF, o depoimento é colhido em Curitiba por se tratar do domicílio de Moro “como é praxe nas investigações da PF; e ocorre na data de hoje em virtude do prazo de 5 dias determinado, na última quinta-feira” pelo ministro do Supremo, Celso de Mello.

Manifestantes a favor do ex-ministro e do presidente Jair Bolsonaro estão concentrados em frente à PF desde a manhã deste sábado. Já houve desentendimentos entre os grupos, incluindo agressões verbais.

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, deferiu nesta sexta (1º), pedido formulado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e designou três procuradores indicados pela PGR para acompanhar o depoimento do ex-ministro.

Com a designação, acompanharão o depoimento os procuradores João Paulo Lordelo Guimarães Tavares, Antonio Morimoto e Hebert Reis Mesquita. O trio também ficará responsável por acompanhar os demais atos e diligências a serem praticados no inquérito.

Sobre o depoimento

Ao pedir demissão do governo, o ex-ministro sinalizou que a substituição de Maurício Valeixo no comando na PF era uma manobra de Bolsonaro para ter acesso a dados sigilosos de investigações da Polícia Federal – denúncia que deve ser o foco do depoimento.

“Falei ao presidente que seria uma interferência política e ele disse que seria mesmo”, relatou Moro sobre a conversa com Bolsonaro em relação à troca de Valeixo. “O problema não é a questão de quem colocar, é por que trocar e permitir a interferência política na Polícia Federal”, continuou.

Segundo Moro, o presidente queria que Valeixo fosse substituído por alguém da confiança dele e de quem fosse próximo. “O presidente me disse mais de uma vez que queria uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, colher informações e relatórios de inteligência”, explicou.

“Não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, defendeu o ex-ministro, citando que nem os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, investigados pela Lava Jato, fizeram isso.

“Ele me disse isso expressamente, pode ou não confirmar, mas não entendi apropriado. Se esse alguém [novo diretor-geral], sendo da corporação e aceitando substituição, não conseguir dizer ‘não’ a uma proposta assim, fico na dúvida se vai dizer ‘não’ em relação a outros temas”, continuou o ex-juiz federal.

Em ocasiões posteriores, Moro afirmou ter provas das acusações. Já o presidente Jair Bolsonaro tem negado todas as denúncias.