Operação mira fintechs e esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis

Esquema investigado usava fintechs e fundos de investimento para lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis; Gaeco e Receita Federal cumprem 59 mandados em cinco estados

  • Por David de Tarso e Victor Trovão
  • 28/05/2026 07h08 - Atualizado em 28/05/2026 07h55
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Divulgação O MPSP, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a Receita Federal, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil deflagraram, na manhã desta quinta-feira (28/5), a Operação Fluxo Oculto, que reúne investigações do Ministério Público em continuidade à Operação Carbono Oculto. Esta última revelou o avanço do crime organizado no ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamentos e de investimento. O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco, e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quinta-feira (28) a Operação Fluxo Oculto.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco, e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quinta-feira (28) a Operação Fluxo Oculto, nova fase da investigação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, considerada pelas autoridades a maior operação contra o crime organizado já realizada no país em termos de cooperação institucional e alcance.

O objetivo desta etapa é ampliar o cerco financeiro sobre o grupo criminoso, investigado por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e uso de fintechs como bancos paralelos. Os focos da operação são seis fintechs que, juntas, movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.

Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a pessoas físicas e jurídicas nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Participam da operação cerca de 135 auditores-fiscais, analistas-tributários e servidores da Receita Federal, além de equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, ANP, Sefaz-SP e Procuradoria-Geral do Estado.

Segundo os investigadores, a organização criminosa utilizava empresas do setor de combustíveis para movimentar recursos ilícitos e ampliar os lucros com fraudes tributárias e adulteração de produtos.

Os investigadores identificaram operações consideradas suspeitas, como depósitos bilionários em espécie e o uso de “contas bolsão”, mecanismo que centralizava e dispersava recursos ilícitos para dificultar o rastreamento das transações e a identificação dos beneficiários finais.

Uma das instituições investigadas recebeu, sozinha, mais de R$ 1 bilhão em depósitos em dinheiro entre 2022 e 2024.

A Receita também informou que a obrigatoriedade de entrega da e-Financeira por instituições de pagamento, implementada após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, foi fundamental para ampliar o monitoramento das movimentações financeiras. Desde agosto de 2025, mais de 450 fintechs passaram a fornecer dados periódicos ao Fisco.

Combustível adulterado

Outra frente da investigação apura um esquema de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica.

Segundo as autoridades, empresas de fachada simulavam a compra do produto para fins industriais, mas a substância era desviada para terminais de armazenamento e adicionada ilegalmente a combustíveis automotivos.

O prejuízo estimado aos cofres públicos com o esquema ultrapassa R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em apenas dois anos.

Os recursos obtidos com as fraudes eram direcionados a fundos de investimento usados para ocultar os reais beneficiários do esquema. Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em R$ 205 milhões, valor que teria crescido mais de 200% em pouco mais de um ano.

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