Bebidas alcoólicas, vestuários e produtos esportivos: saiba quais são os produtos mais falsificados do Brasil
O mercado ilegal de produtos, movimentado por falsificação, contrabando, pirataria e sonegação fiscal, provocou prejuízo recorde de R$ 514 bilhões ao Brasil em 2025, segundo o Anuário da Falsificação 2026, divulgado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) nesta quarta-feira (27). É uma alta de 8% em relação ao ano anterior. Os valores se referem às perdas de arrecadação tributária e de faturamento das indústrias legalmente estabelecidas.
O levantamento mostra que os três setores mais afetados foram:
- Bebidas alcoólicas: prejuízo de R$ 89,5 bilhões;
- Vestuário: R$ 55 bilhões
- Combustíveis: R$ 30 bilhões.
Mas o prejuízo vai muito além do econômico. Produtos adulterados podem representar riscos sérios à saúde. Um dos exemplos foi crise de adulteração de bebidas com metanol.
A Câmara dos Deputados aprovou em outubro do ano passado, projeto de lei para tornar crime hediondo a falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou bebidas, produtos alimentícios e suplementos alimentares. A pena prevista para os crimes citados é de quatro a oito anos de reclusão.
O Estado de São Paulo aparece como o centro do mercado ilegal no País, concentrando 40% de todas as perdas nacionais, o equivalente a R$ 205,6 bilhões. Apesar de não ser região de fronteira, São Paulo lidera o ranking de apreensões da Receita Federal, respondendo por 20% das operações realizadas no País.
Fases do comércio irregular
O comércio irregular ocorre em três frentes principais:
- Falsificações diretas: canetas comercializadas com embalagens e rótulos idênticos aos originais, mas que contêm substâncias diferentes, como insulina, capaz de provocar hipoglicemia severa, ou apenas solução salina.
- Manipulação industrial proibida: farmácias e laboratórios clandestinos produzem versões “genéricas” de semaglutida e tirzepatida;
- Substâncias sem registro: venda de compostos como a retatrutida, ainda em fase de testes clínicos.
Setores com maiores prejuízos em 2025
- Bebidas alcoólicas – R$ 89,5 bilhões
- Vestuário – R$ 55 bilhões
- Material esportivo – R$ 32 bilhões
- Combustíveis – R$ 30 bilhões
- Perfumaria – R$ 22,8 bilhões
- Defensivos agrícolas – R$ 22 bilhões
- Medicamentos – R$ 16,8 bilhões
- Ouro – R$ 13,8 bilhões
- TV por assinatura – R$ 13 bilhões
- Autopeças – R$ 13 bilhões
- Materiais elétricos – R$ 12 bilhões
- Setor óptico – R$ 11,8 bilhões
- Higiene e cosméticos – R$ 11,5 bilhões
- Cigarros – R$ 10,5 bilhões
- Celulares – R$ 10,5 bilhões
- Suplementos alimentares – R$ 10 bilhões
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