Um em cada cinco brasileiros acredita que hidroxicloroquina é a cura da Covid-19

Pesquisa ainda aponta que 7% dos brasileiros acreditam que comer alho previne a Covid-19

  • Por Jovem Pan
  • 29/06/2020 15h31
Dirceu Portugal/Estadão ConteúdoPara 18% dos brasileiros, a hidroxicloroquina cura a Covid-19

Pesquisa feita pelo instituto Ipsos em 16 países divulgada nesta segunda-feira (29) revelou que 18% dos brasileiros acreditam que a hidroxicloroquina é a cura para a Covid-19.

De acordo com os dados, cerca de um em cada cinco brasileiros concorda com a frase “existe uma cura para Covid-19 e ela se chama hidroxicloroquina”. Mais da metade dos entrevistados do país, 57%, consideram a afirmação falsa, e 25% não souberam responder. A pesquisa ouviu 1 mil pessoas em cada país.

Entre os 16 países que participaram da pesquisa, só a Índia teve taxa maior de pessoas que acreditam na hidroxicloroquina contra a Covid-19 – 37%. Nos Estados Unidos, 12% acham que a droga pode ser utilizada contra a doença causa pelo novo coronavírus. No Reino Unido, a taxa é de 2%. A média dos 16 países é de 11%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a testar a cloroquina em pacientes de Covid-19, mas suspendeu as pesquisas no final de maio e em definitivo na metade de junho, após não constatar redução de mortalidade. O medicamento, que nunca foi encarado por médicos e cientistas como cura para a doença, mas apenas como possível tratamento auxiliar, pode provocar efeitos colaterais graves.

No Brasil, o remédio foi defendido pelo presidente Jair Bolsonaro como o melhor tratamento contra a Covid-19. O país comprou hidroxicloroquina do exterior e aumentou a produção nacional. A droga faz parte do protocolo de tratamento do SUS de infectados pelo novo coronavírus.

Entre outros mitos avaliados pela pesquisa Ipsos está o de que a exposição ao sol ou a altas temperaturas previne Covid-19. Nesse caso, 22% dos brasileiros entrevistados apontaram a alegação como correta. O boato de que comer alho é uma defesa contra o coronavírus foi encarado como verdadeiro por 7% no Brasil.

*Com Estadão Conteúdo