Comitê em SP descarta quarentena para quem teve contato com infectado por coronavírus no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 26/02/2020 16h35 - Atualizado em 26/02/2020 16h51
Governo de SP David Uip e Helena Sato, integrantes do comitê para monitoramento do coronavírus em São Paulo

O governo do estado de São Paulo criou nesta quarta-feira (26) um comitê voltado exclusivamente para o monitoramento do novo coronavírus. Coordenado pelo infectologista David Uip, o grupo esclareceu, durante coletiva de imprensa nesta tarde, que não há necessidade de as pessoas que tiveram contato com o paciente brasileiro infectado pelo Sars-Cov-2 ficarem em quarentena.

De acordo com o comitê, as 30 pessoas que tiveram contato com o paciente de 61 anos que está com o coronavírus estão assintomáticas e serão monitoradas diariamente pelos órgãos de saúde do estado.

“As pessoas que tiveram contato com o infectado por coronavírus não precisam ficar em quarentena. Só fica em quarentena quem apresentar sintomas de coronavírus”, destacou a coordenadora da Coordenadoria de Vigilância e Saúde do município (Covisa), Solange Saboia.

O grupo ainda ressaltou que, junto do paciente infectado, está apenas a esposa. Eles estão na mesma casa, mas foram orientados a ficar em ambientes separados. “A esposa não é caso suspeito porque está assintomática, mas seguimos fazendo o monitoramento diário. Ele está na mesma casa que o paciente em isolamento domiciliar, mas em outro ambiente. Ela também pode sair de casa, mas tem evitado”, destacou Helena Sato, chefe de Vigilância Epidemiológica de São Paulo.

De acordo com informações dos órgãos de saúde, a população mais vulnerável está entre os acima de 60 anos e com comorbidades. O isolamento domiciliar foi recomendado no caso do único caso confirmado no Brasil porque, de acordo com o comitê, só se interna um paciente a partir da gravidade do caso e essa também é a recomendação do Ministério da Saúde.

O comitê também destacou que os membros da família do infectado estão colaborando e seguindo os protocolos estabelecidos para o caso. “Quem o atendeu, achou que ele tinha uma condição clínica muito boa, por isso o isolamento domiciliar. Não há demanda clínica para interná-lo nesse momento. Se você entender que todo mundo com tosse e febre deve ser internado não restarão leitos”, destacou Uip.

Vacinas para gripe

De acordo com o infectologista David Uip, o Instituto Butantan produziu 75 milhões de vacinas contra a gripe que serão oferecidas antecipadamente ao Ministério da Saúde, que já estuda antecipar a campanha de vacinação.

“A vacina da gripe nada tem a ver com o coronavírus. No entanto, a trivalente é importante por diminuir a prevalência de outros três vírus. Nada disso é novo para nós. O coronavírus é o responsável por 5 a 10% das infecções pulmonares em adultos”, destacou.

Uip ainda falou sobre o clima no Brasil e que o verão pode inibir a disseminação vírus. “O Brasil nesse momento passa pelo verão, onde a menor possibilidade de transmissão do vírus. Vírus gosta de frio e não de calor, mas não sabemos ainda como esse vírus pode se comportar no Brasil”, disse.

Aeroportos de São Paulo

Segundo o comitê, após reunião com a Anvisa nesta quarta, ficou estabelecido o monitoramento dos casos sintomáticos. Também há informações e orientações nos aeroportos da cidade e nos voos.

Segundo Uip, nos aeroportos só serão notificados os casos sintomáticos, que incluem tosse e febre. “Neste momento, cabe fazer a vigilância. Não há como controlar todos os voos que chegam em São Paulo. O individuo sintomático deve se identificar e manifestar seus sintomas”, disse.

O período de incubação do vírus é de 14 dias, o que pode significar que a pessoa infectada apresente sintomas apenas depois da viagem.