PGR vai apurar supostos pagamentos da JBS ao advogado Frederick Wassef

Em nota, a Procuradoria afirmou que Aras não participou de ‘nenhum dos contatos’ da suposta tratativa de delação da JBS revelada pela revista Crusoé; reportagem afirma que Wassef recebeu R$ 9 milhões da empresa

  • Por Jovem Pan
  • 20/08/2020 19h14 - Atualizado em 20/08/2020 19h19
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDOO advogado Frederick Wassef chega ao Aeroporto de Brasília

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou informações ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para apurar supostos pagamentos ao advogado Frederick Wassef. Segundo reportagem da revista Crusoé, Wassef teria recebido R$ 9 milhões da JBS e tentou atuar junto à Procuradoria no processo de acordo de delação premiada. Segundo a reportagem, os valores constam em documentos obtidos pelos promotores do MPRJ que investigam a relação de Wassef com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Em nota, a PGR afirma que quer saber se esses pagamentos tiveram efeito no acordo de colaboração premiada firmado pela Procuradoria com os executivos da empresa. “Eventual irregularidade poderá reforçar os indícios de omissão nos acordos de colaboração premiada dos executivos da companhia”, diz nota. Os acordos de colaboração da JBS foram firmados com a PGR em 2017 e a rescisão aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal. A reportagem da Crusoé revela ainda que o presidente Jair Bolsonaro pediu ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que Wassef fosse recebido na sede da PGR no fim do ano passado para uma reunião que supostamente trataria do acordo de delação da JBS.

Em nota, a PGR diz que “Augusto Aras não participou de nenhum dos contatos que trataram de eventual proposta de repactuação do acordo de colaboração premiada da JBS com envolvimento do advogado Frederick Wassef”. “Todas as solicitações de audiência para tratar de assuntos jurídicos que chegam ao gabinete do PGR são direcionadas para os procuradores que atuam na respectiva matéria. O PGR dedica-se às áreas constitucional e cível perante o STF. O procurador-geral da República afirma que não recebeu solicitação de nenhuma natureza por parte do presidente da República, e desconhece supostos telefonemas do presidente para qualquer membro do MPF”, completa o comunicado.

A PGR esclarece ainda que Aras já se manifestou em documentos enviados ao Supremo pela rescisão dos acordos – “e neste momento reitera posição contrária a uma eventual renegociação com os colaboradores. A análise do tema no Ministério Público Federal (MPF) tem cabido aos membros designados pelo PGR: os subprocuradores-gerais da República José Adonis Callou de Araújo Sá, José Bonifácio Borges de Andrada e, mais recentemente, Lindôra Maria Araújo”.