‘Policiais sabiam que estavam errados e optaram por isso’, diz coronel da PM sobre morte em Paraisópolis

Corporação nega falta de preparo, diz que oferece treinamento contínuo e afirma que não há justificativa técnica para a ação; câmeras corporais mostraram que jovem foi baleado mesmo após se render

  • Por da Redação
  • 12/07/2025 06h26
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Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo Vista de carro queimado por manifestantes na rua Clementine Brenne, perto de um dos acessos ao bairro de Paraisópolis Carro queimado por manifestantes na rua Clementine Brenne, perto de um dos acessos ao bairro de Paraisópolis,, na zona sul de São Paulo

Dois policiais militares foram presos em flagrante por homicídio doloso após a morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, 24, ocorrida durante uma operação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, na última quinta-feira (10). Segundo a corporação, imagens de câmeras corporais mostraram que o jovem foi baleado mesmo após se render, com as mãos na cabeça. O coronel Emerson Massera, chefe da comunicação da PM de São Paulo, afirmou nesta sexta-feira (11) que os policiais “sabiam que estavam cometendo erros e optaram por isso”. Segundo ele, a corporação oferece treinamento contínuo e, portanto, não há justificativa técnica para a ação.

“As imagens indicaram que a morte não ocorreu dentro das excludentes de ilicitude”, declarou Massera. “Da mesma forma que somos implacáveis contra o crime, também não compactuamos com erros ou crimes cometidos por policiais.” A tecnologia das novas câmeras corporais foi fundamental para registrar o episódio. O equipamento é acionado automaticamente por bluetooth sempre que uma câmera próxima é ligada manualmente. Isso possibilitou a captação de todo o momento do disparo.

A operação policial em Paraisópolis foi desencadeada após denúncia de tráfico. Quatro homens fugiram ao ver os agentes e se esconderam em uma residência. No local, três foram presos e um — Igor Oliveira — morto. Segundo a PM, foram apreendidas centenas de porções de drogas, dinheiro, uma balança de precisão e anotações do tráfico.

A morte de Igor provocou revolta entre os moradores da comunidade, que realizaram protestos, queimaram objetos e fecharam vias. Durante os confrontos, um policial da Rota foi baleado no ombro e encaminhado ao hospital. Outro homem, Bruno Leite — com passagens por tráfico e roubo —, foi morto em confronto com a polícia. Para conter os distúrbios, a PM mobilizou cerca de 300 agentes, incluindo efetivos da Rota, do Comando de Operações Especiais (COE) e do Batalhão de Choque. A região permanece sob forte vigilância.

Um inquérito policial militar foi instaurado para apurar os fatos. Apesar das críticas, Massera garantiu que a atuação da corporação na comunidade será mantida. “A Polícia Militar não vai retroceder no combate à criminalidade, mesmo diante de tantas adversidades”, disse.

O ouvidor das polícias de São Paulo, Mauro Caseri, defendeu a ampliação do uso de câmeras corporais por todo o efetivo e o investimento em armamentos não letais, como tasers e sprays de pimenta. Ele também alertou para a necessidade de discutir as condições de trabalho e saúde mental dos policiais. Em 2024, mais de 800 pessoas morreram em operações da PM no estado — aumento de 63% em relação ao ano anterior, segundo dados da Ouvidoria. Caseri classificou esse cenário como inaceitável e cobrou participação da sociedade na discussão sobre segurança pública.

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Massera também destacou a importância do discurso de autoridades sobre as ações policiais. Disse que declarações públicas podem ser mal interpretadas pela base da corporação e citou o próprio governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que em ocasiões anteriores já admitiu a influência de suas falas sobre o comportamento de agentes da PM.

Publicada por Felipe Dantas

*Reportagem produzida com auxílio de IA

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