Presidente do Senado Renan sugere a Temer mudanças no crédito consignado

  • Por Estadão Conteúdo
  • 28/01/2017 09h15
BRA208. BRASILIA (BRASIL), 31/08/2016.- Michel Temer (i), saluda al senador Renan Calheiros (d) hoy, miércoles 31 de agosto de 2016, en el Congreso Nacional en Brasilia (Brasil). Temer juró hoy ante el Congreso como nuevo presidente de Brasil, un cargo al que fue alzado por la destitución de la mandataria Dilma Rousseff, decidida apenas unas horas antes por el Senado. "Prometo mantener, defender y cumplir la Constitución de la República, observar sus leyes, promover el bien general de Brasil y sustentarle la unión, la integridad y la independencia", expresó. EFE/Cadu GomesEFE - Renan Calheiros cumprimenta Michel Temer enquanto este toma posse na Presidência da República: "estamos juntos"

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu na última sexta-feira (27), na presença do presidente Michel Temer, mudanças no crédito consignado, com desconto em folha de pagamento, como forma de estimular a economia do País.

No encontro, Renan sugeriu, por exemplo, reduzir o IOF cobrado nas operações – hoje em cerca de 3% para 1% – e duplicar o prazo máximo para o pagamento do crédito contraído, cujo limite atual é de 96 meses.

O presidente do Senado disse que era preciso ter um “aceno concreto” para o consumo. Segundo ele, a medida poderá injetar bilhões de reais na economia. Na ocasião, Temer disse ter achado a ideia interessante e pediu ao Ministério da Fazenda uma avaliação de sua viabilidade. Segundo dados do Banco Central, a carteira de crédito consignado fechou 2016 em R$ 389,3 bilhões, aumento de 2,5% em comparação com 2015.

A expectativa de Renan é que o governo formate uma proposta nesses moldes e anuncie mudanças em breve. O próprio senador usa como dado a favor da adoção da medida o fato de que o nível de endividamento das famílias registrou queda em novembro, segundo o BC.

Esse tipo de medida, aliás, já está em estudo pela equipe econômica do governo. O fato é que, ao patrocinar conversas como essa com Temer, o PMDB do Senado tem mantido sua preocupação em tomar atitudes de forma a garantir a retomada da atividade econômica, o que poderá melhorar a baixa popularidade do governo do presidente.

O Planalto também crê que antes do fim de 2017 o País já terá superado a recessão com medidas de estímulo econômico, partindo do pressuposto de que tenham sido aprovadas as reformas estruturantes, como a reforma da Previdência.

A avaliação dos peemedebistas é que Temer não pode repetir o discurso único de ajuste fiscal, que acreditam ocorreu com a ex-presidente Dilma Rousseff, sem mostrar à população melhoras no dia a dia.

Outra medida é a utilização de parte do FGTS como garantia para os empréstimos consignados. Proposta ainda por Dilma, a Caixa tem até março para regulamentá-la. Os trabalhadores da iniciativa privada poderão usar até 10% dos saldos das contas e a totalidade da multa de 40% em caso de demissão sem justa causa como garantia de operações de crédito consignado. O governo Dilma estimou que se apenas 10% do total do FGTS mais as multas por demissão sem justa causa fossem usados, entrariam R$ 17 bilhões na economia.