Preso na Lava Jato, dono da Estre confessa pagamento de propina a ex-presidente da Transpetro

  • Por Jovem Pan
  • 05/02/2019 15h59
Peter Leone/Estadão ConteúdoEnvolvida em esquemas de corrupção, Transpetro é um dos braços da Petrobras

Preso na Operação Lava Jato, o dono da empresa Estre, Wilson Quintella, confessou o pagamento de propinas ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, para conseguir benefícios em contratos. O executivo está detido desde quinta-feira (31) e a juíza federal Gabriela Hardt impôs fiança de R$ 6,8 milhões para ele possa deixar o cárcere.

Quintella foi alvo da Operação Quinto Ano, fase da Lava Jato, que mira repasses ilegais de R$ 22 milhões em contratos que comam R$ 682 milhões na Transpetro entre 2008 e 2014. A assessoria da empresa – que presta serviços de limpeza urbana e resíduos industriais – informou que ele é atualmente acionista do grupo e ex-presidente da Estre Ambiental.

Além do executivo, estão detidos o advogado Mauro de Morais e um ex-funcionário da Estre, Antonio Kanji. Eles são suspeitos de fazer operações de lavagem de dinheiro da propina. A Receita Federal conseguiu rastrear mais de R$ 20 milhões no escritório de Morais, que teria feito saques pouco abaixo de R$ 100 mil para transações de R$ 9,5 milhões.

Com esses saquem parcelados, ele tentava impedir que as movimentações atípicas chegassem ao conhecimento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As investigações tiveram como ponto de partida a delação premiada de Sérgio Machado, que afirmou ter recebido propinas das Estre para repassar a grupo político no MDB.

Apoio político

De acordo com o dono da Estre, Machado havia solicitado pagamento a título de “contribuição”,” doação” ou “apoio político”. Wilson Quintella afirma que “isso ocorreu logo no início da gestão dele na Transpetro e que ele disse que tinha demandas para manter o próprio apoio institucional, pelo que necessitava de apoio financeiro”.

O executivo ainda alega que Machado “disse que precisava desse apoio financeiro de um grupo seleto de pessoas de confiança” e que “gostaria de contar com o apoio financeiro das empresas” de Quintella “em montantes entre 1,5 a 3%, ou mesmo até 4%”. O percentual seria parte do valor de contratos nos quais a empresa seria beneficiada.

O dono da Estre afirmou que “em momento algum solicitou pagar qualquer quantia e nem obteve vantagens para empresas, inclusive nunca teve aditivo financeiro aprovado nem problemas para receber valores devidos pelos contratos”. Contudo, indica que “aceitou sem imposição de qualquer condição” as propostas de Sérgio Machado.

Quintella ainda admitiu que usou Kanji para viabilizar o pagamento de propinas. O ex-funcionário, porém, preferiu ficar calado diante das autoridades. Já Mauro de Morais, segundo os autos, alegou que “os valores sacados eram divididos em partes iguais entre ele e Kanji, que o havia procurado em 2011 para a elaboração de pareceres na área ambiental”.

O advogado afina afirmou que “tratou dos pareceres somente com Antonio Kanji Hoshikawa, nunca tendo conversado com representantes das contratantes” – empresas do Grupo Estre. Morais alegou “não possuir registro da prestação dos serviços” e “atribui a ausência de registros a problema técnico que teve em seu computador no ano de 2016”.

Bloqueio

A juíza Gabriela Hardt havia imposto um bloqueio de R$ 20 milhões aos alvos da operação. Nas contas de Quintella, foram encontrados R$ 550 mil. Antonio Kanji tinha R$ 830 mil. Em nota, a Estre Ambiental disse que vem colaborando com a justiça e permanecerá à disposição das autoridades competentes para prestar esclarecimentos.

*Com informações do Estadão Conteúdo