Bolsonaro quer que radares sejam usados apenas para tirar ‘fotografias educativas’

Segundo ele, os condutores não seriam multados

  • Por Jovem Pan
  • 19/12/2019 20h15
Valter Campanato/Agência Brasil Os equipamentos móveis foram recolhidos em agosto após a publicação de um despacho do presidente

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (19), em transmissão ao vivo feita pelas redes sociais, que vai entrar com um recurso contra a decisão judicial que determinou a volta dos radares móveis às rodovias e que irá conversar com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre a possibilidade dos equipamentos servirem apenas para tirar “fotografias educativas”.

Segundo ele, os condutores não seriam multados. O policial rodoviário iria apenas parar a pessoa que estivesse acima da velocidade, falar com ela e ela “seguiria o seu destino”.

Na live, Bolsonaro não comentou nada sobre o filho Flávio, acusado de depositar R$ 638.400 em dinheiro vivo a um corretor para ocultar o dinheiro ganho com as “rachadinhas” em seu gabinete. Nesta quarta, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele e a ex-assessores parlamentares do seu tempo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Radares

No dia 11 de dezembro, o juiz Marcelo Gentil Monteiro, da 1ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, atendeu a um pedido liminar feito pelo Ministério Público Federal (MPF) e entendeu que a falta dos radares pode causar danos à sociedade.

Os equipamentos móveis foram recolhidos em agosto após a publicação de um despacho do presidente. Na ocasião, foram revogados atos administrativos sobre a atividade de fiscalização eletrônica de velocidade em rodovias e estradas federais.

O prazo para que voltem às estradas do País termina nesta segunda-feira (23). “Um juiz de Brasília nos obrigou via liminar voltar com os radares para as ruas. Estamos elaborando o recurso, mas caso não seja possível, eles [radares] voltam, porque é uma determinação judicial. É duro ser presidente. Um juiz de 1ª instância quer que multe as pessoas nas rodovias federais”, reclamou Bolsonaro.

Fundo eleitoral

O presidente afirmou, também, que não vai vetar o trecho da proposta orçamentária para 2020 que prevê um aumento do fundo eleitoral para R$ 2,034 bilhões. O projeto seguirá para o plenário do Congresso e será analisado em uma sessão conjunta, formada por deputados e senadores.

Bolsonaro disse que, na sua opinião, o fundo eleitoral não deveria existir, mas que é “um escravo da lei”. De acordo com ele, a Constituição alega que é preciso existir um Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e que o valor não pode ser menor do que o das últimas duas eleições. Se ele vetar o texto, o Congresso pode entender que “atentou contra a Constituição” e ele pode “sofrer um impeachment”.