Relator da reforma política recua da proposta de mandato de 10 anos e reclama de pressão
Um dia após propor um mandato de dez anos para senadores, o relator da reforma política na comissão especial da Câmara, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) disse em entrevista ao repórter Thiago Uberreich que voltou à ideia original de cinco anos para todos os cargos eletivos.
“De ontem para hoje, eu tive a unanimidade da repulsa popular. Reprovaram e criticaram o mandato de dez anos para senador”, contou.
Castro defendeu na terça-feira (12) a ideia de uma mesma duração para todos os mandatos eletivos – de prefeito a presidente da República. Segundo ele, muitos acham que quatro anos para o Executivo é um tempo muito curto: “ficou em debate na comissão se ficavam quatro, cinco ou seis anos”. Com ampla maioria, o mandato de cinco anos foi “aprovado”.
No entanto, na quinta-feira (14), o deputado disse que alteraria o texto para dez anos – ideia que agora foi abandonada. Segundo ele, colegas parlamentares criticaram que o mandato de cinco anos inviabilizaria a reforma política e que ele poderia ser acusado de intransigente. “Eu respondi que não tinha problema, nós aprovaríamos os cinco anos na Câmara e os senadores teriam autonomia, para quando a matéria chegar no Senado, eles aprovarem dez anos”, explicou.
Castro achou então “por bem” fazer a concessão e ampliar o mandato de oito para dez anos. Mais tarde, e após todas as críticas, o deputado afirmou que não via razão para manter um mandato por um período tão longo, visto que ele sempre sugeriu a equalidade em todos os cargos eletivos.
“Não vejo nenhuma razão para manter esse ponto de vista do qual eu não concordo dos dez anos e preferi retroceder, voltar atrás e manter aquilo que faz parte do meu relatório original”, disse.
Progressão do debate da reforma política no Congresso
Segundo ele, qualquer ponto da reforma política é polêmico e não há nenhum ponto unânime no Congresso Nacional.
“Essa tem sido a grande dificuldade para se conseguir fazer uma reforma política. Somos 513 deputados e todos se sentem especialistas no assunto e como assuntos de reforma política são amplos, terá sempre algum ponto que algum deputado terá ideia diferente da maioria”, comentou.
Unificação de eleições
Segundo o deputado Marcelo Castro, a intenção é reduzir o tempo de campanha. “Estamos propondo que as convenções entre 10 e 30 de junho, se realizem entre 15 e 30 de julho. As campanhas começam quando as convenções são realizadas”, disse.
Questionado pelo repórter José Maria Trindade se o horário de propaganda política não se estenderia por “um dia inteiro”, Castro foi enfático: “ele não será estendido em nenhum segundo”.
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