Santa Catarina proíbe cotas para alunos negros e trans em universidades estaduais
O governador de Santa Catarina Jorginho Mello (PL) sancionou nesta quinta-feira, 22, uma lei que proíbe a adoção de cotas raciais e voltadas a outras minorias em universidades públicas ou “que recebam verbas públicas” no Estado. Ou seja, a restrição vale também para instituições que sejam beneficiárias de bolsas bancadas pelo governo catarinense.
A medida é válida para o ingresso de estudantes, contratação de professores, técnicos e outros profissionais, restringindo a implementação de reserva de vagas, qualquer forma de cota ou ação afirmativa, como vagas suplementares.
A legislação mantém, porém, a reserva de vagas a pessoas com deficiência, baseada em “critérios exclusivamente econômicos” e para estudantes que cursaram o ensino médio em escola pública.
A nova norma não proíbe expressamente a reserva de vagas usando o parâmetro de raça ou de outras minorias (como transexuais), mas exclui esses grupos ao restringir as possibilidade de critérios para adotar cotas.
A medida não afeta instituições federais, como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ou institutos federais.
Atinge a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), instituições que integram o sistema da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) e faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
Instituições que descumprirem a medida ficam sujeitas às seguintes punições:
- multa administrativa de R$100 mil;
- corte dos repasses de verbas públicas;
- processo administrativo disciplinar aos “agentes públicos responsáveis pela confecção e publicação das normas do certame”
A Udesc, principal afetada, lamentou e expressou discordância à lei. Para a instituição, a proibição das cotas “contraria o interesse público, caracterizando um retrocesso inconstitucional e um dano irreparável ao progresso social e científico de Santa Catarina”, em nota publicada nesta quinta-feira, 22.
Dias antes da sanção da lei, na terça-feira, 20, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) também se manifestou, afirmando estar sendo alvo de ataques e de desinformação relacionados às políticas de ações afirmativas, principalmente às vagas suplementares voltadas a pessoas trans na graduação, em vigor desde 2023.
A UFSC esclareceu que “as vagas suplementares não reduzem nem comprometem o quantitativo original dos cursos de graduação, tratando-se de vagas adicionais, criadas para ampliar o acesso de grupos historicamente subrepresentados ao ensino superior”.
Assuntos
continue lendo
Política
Jorginho Mello é reeleito governador de Santa Catarina
Eleição aconteceu neste domingo (4)
- TSE substitui 1.543 urnas 1h30 antes do término das votações Jovem Pan · há 3 horas
- Explosão em bueiro na avenida Paulista deixa 3 feridos; veja vídeo Estadão Conteúdo · há 1 dia
- Jornalista Márcio Chaer morre após sofrer infarto ao perseguir ladrão em São Paulo Jovem Pan · há 1 dia
- TJ-SP decreta prisão preventiva de bombeiro suspeito de matar estudante após briga de trânsito Estadão Conteúdo · há 1 dia