Senadora troca PSL pelo Podemos, cita pressões de Flávio e critica sigla: ‘repeteco de frases prontas’

Selma Arruda disse que não é “Bolsonaro até debaixo d’água” e cita CPI da Lava Toga, reforma da Previdência e casamento homossexual como motivos para sua saída

  • Por Jovem Pan
  • 15/09/2019 08h33
Geraldo Magela/Agência SenadoSenadora é conhecida como Conhecida como 'Moro de saias'

Nove meses depois do início de seu primeiro mandato, a senadora Selma Arruda (PSL-MT), juíza aposentada e também conhecida pelos eleitores e em seu partido como “Moro de saias”, vai deixar o PSL. Na próxima quarta-feira (18), ela afirma que passará a ser filiada do Podemos que, apesar de fazer parte da base do governo, “te deixa livre para seguir as convicções”.

Arruda conta que não é “Bolsonaro até debaixo d’água.” Ela cita, por exemplo, que nunca foi contra o casamento homossexual e que a “reforma da Previdência é a coisa mais cruel dos últimos tempos”, além de dizer que nunca se sentiu acolhida no PSL, algo que encontra no Podemos.

Segundo a senadora, outro motivo que a levou a deixar o partido foi a pressão sofrida de alguns membros, e principalmente do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o também senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), para retirar sua assinatura do requerimento que pede a instalação da CPI da Lava Toga. Ela conta que Flávio pediu pessoalmente para que ela retirasse seu nome da lista, em uma conversa que não foi amigável.

“O PSL é um partido que me incomoda, não apenas pela falta de solidariedade em relação a todo esse processo que eu estou enfrentando [de cassação do mandato, em andamento no Tribunal Superior Eleitoral], mas também em relação a essas pressões de membros do partido para tirar a assinatura do pedido de CPI da Lava Toga. Não tenho mais jeito de permanecer nesse ambiente”, disse, acrescentando que Flávio não é presente no Senado.

Arruda critica, ainda, a postura do partido e falta de participação do presidente Bolsonaro. “Não tem uma consistência ideológica própria. A ideologia é mero repeteco de algumas frases prontas. Tudo é culpa da esquerda. Todo mundo é comunista. Não tem uma liderança Não tem envolvimento nem sequer do próprio presidente da República”, afirma.

Sobre o líder do PSL na Casa, Major Olímpio, que também já disse que pensa em deixar a sigla, ela não poupa elogios. “É íntegro. Um sujeito absolutamente honesto. E também está com um pé fora do PSL.”

*Com Estadão Conteúdo