Sérgio Camargo diz que Marina Silva, Preta Gil e Jean Wyllys declaram-se negros ‘por conveniência’

Presidente da Fundação Palmares excluiu ex-senadora de lista de personalidades negras da instituição: ‘Não tem contribuição relevante para a população’

  • Por Jovem Pan
  • 14/10/2020 22h50 - Atualizado em 14/10/2020 23h29
Reprodução/FacebookEm junho, foram revelados áudios de Camargo chamando o movimento negro de “escória maldita”

Após excluir a ex-senadora Marina Silva (Rede) da lista de personalidades negras da Fundação Palmares, o presidente da instituição, Sérgio Camargo, afirmou que ela, os deputados David Miranda e Talíria Petrone (ambos do PSOL-RJ), o ex-deputado Jean Wyllys e a cantora Preta Gil declaram-se negros “por conveniência”. “Marina Silva autodeclara-se negra por conveniência política. Não é um caso isolado. Jean Willys, Talíria Petrone, David Miranda (branco) e Preta Gil também são pretos por conveniência. Posar de ‘vítima’ e de ‘oprimido’ rende dividendos eleitorais e, em alguns casos, financeiros”, escreveu Camargo no Twitter.

O presidente da Fundação afirmou que Marina foi excluída por “critérios de decência, dignidade, reputação ilibada, relevância histórico-cultural e mérito”, e que as pessoas que foram retiradas “não preenchem todos ou a maior parte dos critérios”. “Eram escolhas políticas que não refletem a verdadeira história do negro”, disse. Camargo ressaltou, ainda, que a Fundação Palmares não fará mais homenagens a políticos em vida na galeria de personalidades negras, independente da posição ideológica. “A prática da sabujice e a postagem de artigos encomiásticos não estão entre suas missões definidas em lei. A Fundação pertence ao POVO!”, escreveu nas redes sociais. Especificamente sobre Marina Silva, o jornalista explicou que ela foi excluída pois “não tem contribuição relevante para a população negra do Brasil”, e que o “seu ambientalismo vem sendo questionado”. 

Reações

Marina se pronunciou, também nas redes sociais, sobre as críticas de Camargo. “Quem julga o valor da contribuição de uma pessoa à sociedade é a própria sociedade e a sabedoria da história. Todas as pessoas excluídas não o foram por serem irrelevantes, mas exatamente pela importância das causas que defendem”, escreveu. Já a deputada Talíria Petrone afirmou que “a postura” do jornalista “não condiz com o cargo que ocupa”. “Não é este homem, com esta postura que reproduz o racismo e envergonha nossa história de resistência, que irá questionar minha realidade enquanto mulher negra. Está mais do que na hora de devolver a Fundação Cultural Palmares ao povo, ao qual ela deveria servir”, disse.

Em junho, foram revelados áudios de Camargo chamando o movimento negro de “escória maldita”, que abriga “vagabundos” e falando que Zumbi de Palmares era um “filho da puta que escravizava pretos”. Além disso, ele ameaçava a adoção de medidas contra servidores com ideologias de esquerda. “Eu exonerei três diretores nossos (…). Qualquer um deles pode ter feito isso. Quem poderia? Alguém que quer me prejudicar, invadir esse prédio para me espancar, invadir com a ajuda de gente daqui… O movimento negro, os vagabundos do movimento negro, essa escória maldita”, disse o presidente da Fundação Palmares. “Agora, eu vou pagar essa merda aí”, completou, numa referência ao telefone. Talíria também comentou as acusações feitas contra Camargo. “Chamou representantes do movimento negro de escória maldita, atacou a memória de Zumbi, ofendeu o povo de terreiro, questionou o Dia da Consciência Negra. Agora, de forma autoritária, retirou Marina Silva do rol de personalidades negras da instituição”, escreveu a deputada.