Sob pressão, Barroso se retrata após falar em ‘derrotar o bolsonarismo’: ‘Jamais pretendi ofender 58 milhões de eleitores’
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso emitiu nota para se retratar sobre o polêmico discurso no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), quando, sob vaias, disse à plateia que “derrotamos o bolsonarismo”, na última quarta-feira, 12. “Na data de ontem, em Congresso da União Nacional dos Estudantes, utilizei a expressão ‘derrotamos o Bolsonarismo’, quando na verdade me referia ao extremismo golpista e violento que se manifestou no 8 de janeiro e que corresponde a uma minoria”, disse o ministro. Barroso afirma que não pretendeu provocar apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Jamais pretendi ofender os 58 milhões de eleitores do ex-presidente nem criticar uma visão de mundo conservadora e democrática, que é perfeitamente legítima. Tenho o maior respeito por todos os eleitores e por todos os políticos democratas, sejam eles conservadores, liberais ou progressistas.”
O ministro foi duramente criticado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), sobre uma manifestação tão contundente. Para Pacheco, “um ministro do Supremo Tribunal Federal, evidentemente, deve se ater ao seu cumprimento constitucional e julgar aquilo que é demandado”. Também declarou que “a presença do ministro em um evento de natureza política, com uma fala de natureza política, é algo infeliz, inadequado, inoportuno”.
A manifestação de Barroso também foi motivo de nota do Supremo. Após as falas do magistrado viralizarem nas redes sociais e parlamentares da oposição anunciarem que vão pedir o impeachment contra ele, a Corte divulgou uma nota em que afirma que a frase “nós derrotamos a ditadura e o bolsonarismo”, dita por Barroso durante discurso, se referia “ao voto popular, e não à atuação de qualquer instituição”. “O ministro do STF Luís Roberto Barroso, o Ministro da Justiça, Flávio Dino, e o deputado federal Orlando Silva estiveram juntos, no Congresso da UNE, para uma breve intervenção sobre autoritarismo e discursos de ódio. Todos eles participaram do movimento estudantil na sua juventude. Apesar do divulgado, os três foram muito aplaudidos. As vaias — que fazem parte da democracia — vieram de um pequeno grupo ligado ao Partido Comunista Brasileiro, que faz oposição à atual gestão da UNE”, também diz o texto.
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