STF decide soltar Bendine, ex-presidente da Petrobras

  • Por Jovem Pan
  • 09/04/2019 20h45
Divulgação/ Agência PetrobrasVoto decisivo foi do ministro Gilmar Mendes, segundo quem não há justificativas para manter Bendine preso provisoriamente por mais de dois anos

O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta terça-feira, 9, acatar o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, preso preventivamente desde julho de 2017.

A liberdade do ex-diretor foi decidida a partir de um voto divergente proferido pelo ministro Gilmar Mendes. Segundo o ministro, não há justificativas para manter Bendine preso provisoriamente por mais de dois anos.

A prisão será convertida em medidas cautelares, como comparecimento à Justiça quando for chamado, proibição de sair do país, entrega do passaporte e proibição de manter contato com os demais investigados no caso.

De acordo com Mendes, as alegações do Ministério Público Federal (MPF) sobre suposta reiteração delitiva e possibilidade de fuga do país são meras conjecturas. O entendimento foi acompanhado pelos ministros Celso de Mello e Ricardo Lewandowski.

O ministro Edson Fachin, relator do pedido de liberdade, defendeu a manutenção da prisão e entendeu que Bendine tem dupla-cidadania (brasileira e italiana) e há possibilidade de fuga do país em caso da concessão da liberdade. Para Fachin, o fato dele estar afastado de cargo público não neutraliza a possibilidade de voltar a cometer os crimes. A ministra Cármen Lúcia também votou contra a soltura.

Bendine presidiu o Banco do Brasil de abril de 2009 a fevereiro de 2015 e a Petrobras, até maio de 2016. Em delação feita pelo empresário Marcelo Odebrecht, ele foi citado como um dos beneficiários de pagamento de vantagens indevidas na estatal de petróleo.

Em depoimento, Marcelo, que é um dos delatores das investigações da Lava Jato, disse ao então juiz Sergio Moro que autorizou repasse de R$ 3 milhões a Bendine. Marcelo Odebrecht foi interrogado pelo magistrado na ação penal em que Bendine e ele são acusados do crime de corrupção.

Após o depoimento, a defesa de Bendine considerou o depoimento como ilação e disse que Marcelo reconheceu não ter recebido diretamente cobrança de vantagens.

*Com Agência Brasil