Suíça pede ajuda ao Panamá para investigar repasses da Odebrecht

  • Por Estadão Conteúdo
  • 30/05/2016 12h01
PA2013 CIUDAD DE PANAMÁ (PANAMÁ) 24/05/2016.- Vista general de la esclusa Cocolí, parte del próximo a inaugurar proyecto de ampliación del Canal de Panamá hoy, martes 24 de mayo de 2016 en Ciudad de Panamá. Sacyr ha dado por concluida la construcción del tercer juego de esclusas de la vía interoceánica, tras casi siete años de trabajo con un contrato que la compañía se adjudicó en julio de 2009 como parte de un consorcio por 3.200 millones de dólares y que constituye la mayor obra de ingeniería del siglo XXI. EFE/Alejandro BolívarCanal Panamá

A Suíça investiga o pagamento de supostas propinas pela Odebrecht no Panamá. O Ministério Público de Berna informou ao jornal O Estado de S. Paulo que, em fevereiro último, solicitou às autoridades panamenhas cooperação em investigações e inquéritos sobre o envolvimento da empresa brasileira em esquemas de corrupção. Eles incluem o ex-presidente do país centro-americano Ricardo Martinelli e outros políticos cujos nomes não foram revelados. 

“No contexto do processo criminal Petrobras/Odebrecht, o escritório do procurador-geral suíço solicitou ao Panamá assistência legal mútua”, informou o Ministério Público do país alpino. “Esse pedido se refere a várias empresas e, entre elas, várias conectadas ao grupo Odebrecht.” Segundo os procuradores, pessoas físicas também estão sendo investigadas, incluindo dois filhos de Martinelli.

Na Suíça, uma das principais linhas de investigação está ligada ao ex-executivo da Odebrecht Fernando Migliaccio, detido, em Genebra, no último mês de fevereiro, tentando esvaziar uma conta num banco local. Ele é suspeito de ser um dos elos entre a construtora e pagamentos de propina, inclusive usando empresas nacionais como o Canal do Panamá. 

Segundo o jornal panamenho La Prensa, o brasileiro é “chave” nas investigações para determinar o destino do dinheiro. Ele teria utilizado a offshore Constructora Internacional del Sur, no país para pagar propinas e movimentar mais de US$ 40 milhões.

A Odebrecht é, hoje, a maior empresa estrangeira com contratos na Cidade do Panamá, negócios estes avaliados em mais de US$ 8,5 bilhões e, segundo os investigadores, o país estaria no centro do esquema montado para o pagamento de propinas no âmbito da Operação Lava Jato. 

Em sua delação premiada, o ex-gerente executivo de engenharia da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou à Polícia Federal que a construtora depositou parte das propinas em contas na américa Central. Entre maio e setembro de 2009, ele indicou a transferência de US$ 916.697 para uma conta da Constructora Internacional del Sur, dali, o dinheiro seguiu para Barusco.

Aproximação 

A onda de licitações vencidas pela Odebrecht coincidem com o momento em que Brasil e Panamá intensificaram suas relações, a partir do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em agosto de 2007, Lula visitou o Panamá ainda sob o comando de Martín Torrijos. Em 2009, foi a vez do então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, viajar para um encontro com Martinelli, o atual presidente. Naquele momento, o panamenho pediu uma linha de crédito do BNDES de US$ 1 bilhão para obras públicas no país. Mas o dinheiro, segundo o BNDES, jamais foi liberado.

Em 2010, a Odebrecht venceu a licitação para as obras do metrô da capital panamenha, o primeiro da América Central. Procurada, a Odebrecht afirmou que não iria se pronunciar em relação às declarações do MP da Suíça sobre o pedido de cooperação com o Panamá para investigá-la.