Suspeito de incendiar morador de rua tem prisão preventiva decretada

  • Por Leonardo Martins
  • 04/02/2020 18h47
FlickrFlausino Campos irá a júri popular, ainda sem data marcada

A Justiça de São Paulo decretou nesta terça-feira (4) a prisão preventiva do homem suspeito de atear fogo a um morador de rua no começo de janeiro, na zona leste da capital paulista.

Flausino Campos foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo nesta segunda (3) por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e meio cruel.

Ele foi preso temporariamente acusado de ter matado Carlos Roberto Vieira da Silva, 39, queimado vivo enquanto ele dormia. Carlos chegou a ser internado no Hospital Municipal do Tatuapé com 70% do corpo queimado, mas não resistiu.

Flausino Campos irá a júri popular, ainda sem data marcada.

Segundo a polícia, ele confessou que agiu por vingança por conta de um furto. “Ele diz que fez um saque de uma determinada quantia, um valor de R$10 mil, e que a única pessoa para a qual ele teria mostrado, apresentado esse dinheiro seria vítima, e que só ele sabia. Quando ele acordou naquela noite, verificou que já não estava mais de posse daquele dinheiro. Então, fez a presunção de que a única pessoa [que poderia ter o furtado] teria sido a vítima. Mas nós não estamos convictos disso ainda”, relatou o delegado Glaucus Vinícius Silva.

Ouvidoria questiona prisão

Depoimentos colhidos pela Ouvidoria das Polícias de São Paulo questionam a versão de que Flausino Campos seja o autor do crime. Duas testemunhas relataram que as características físicas de Flausino não condizem com as do homem que aparece em outras filmagens ateando fogo ao morador de rua.

O ouvidor das Polícias, Benedito Mariano, abriu procedimento para investigar o caso.

O coordenador da Pastoral Povo da Rua, Padre Julio Lancelotti, esteve com Flausino na delegacia. O acusado teria dito que foi coagido pelos policiais a assumir a autoria do crime.

No entanto, imagens obtidas pela Jovem Pan do momento do crime, mostram um homem correndo que, segundo a polícia, seria Flausino Cândido.

No vídeo, em um outro ângulo, é possível ver o clarão da explosão que matou Carlos Roberto. Segundos depois, um homem aparece correndo com uma sacola preta na mão.

Envolvimento em outros casos

Há pelo menos outros quatro registros de ocorrências em que Flausino Campos está envolvido, conforme revelou a reportagem. Em 2010, ele ameaçou incendiar a casa de uma idosa de 69 anos.

De acordo com o boletim de ocorrência, Flausino Campos importunava a idosa e chegou a quebrar uma árvore em frente à sua residência. Após a mulher ter acionado a Polícia Militar para contê-lo, ele a ameaçou dizendo que iria “tocar fogo no portão”.

Segundo a versão de Flausino, ele fez a ameaça para que a idosa pagasse uma nova calça, pois a cachorra da mesma havia rasgado sua vestimenta.

Em outro caso, ao ser abordado por policiais militares, Flausino disse que “nenhum policial de merda vai relar a mão em mim”. Depois, ao ser contido pelos PMs, Campos mordeu a mão e o braço dos soldados.

O caso é investigado pelo 18º DP.