Tire suas dúvidas sobre a dose de reforço das vacinas contra a Covid-19

Governo federal aprovou a reforma em seu plano de imunização; aplicação extra deve ser feita partir de cinco meses depois da segunda — ou primeira no caso da Janssen

  • Por Jovem Pan
  • 21/11/2021 10h00
LEANDRO FERREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOMinistério da Saúde anunciou alterações em seu Plano Nacional de Imunização

O Ministério da Saúde anunciou a autorização para aplicação da dose de reforço da vacina contra a Covid-19. Segundo a pasta, a dose adicional deverá ser aplicada cinco meses após a segunda dose e toda a população com mais de 18 anos poderá receber o adicional. Até o momento, a medida era autorizada para idosos, imunossuprimidos e profissionais da área da saúde. “Graças às informações que temos dos estudos científicos, nós decidimos ampliar a dose de reforço para todos acima de 18 anos que tenham tomado a segunda dose há mais de cinco meses”, disse o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em entrevista coletiva realizada na terça-feira, 16, dia em que a medida foi anunciada. A alteração no Plano Nacional de Imunização (PNI) despertou algumas dúvidas e confundiu boa parte dos 162,44 milhões de brasileiros que receberam ao menos a primeira dose. Qual vacina será usada na dose de reforço? Quem tomou a dose única da Janssen precisará voltar aos postos de imunização? A Jovem Pan responde essas e outras perguntas abaixo. Confira!

A dose de reforço zera o risco de infecções e mortes por Covid-19?

Não. De acordo com Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), não há nenhum imunizante que seja capaz de zerar os riscos de infecção. “Não existe nada que é 0% ou 100%, isso não existe para nenhuma vacina e para nenhuma doença”, explica a imunologista. Segundo Mônica, foi observada uma queda de anticorpos com o transcorrer do tempo da vacina. “Isso foi associado a uma perda da efetividade para qualquer grau de infecção. Continuam sendo efetivas para as formas graves da internação, mas foi tendo uma queda de eficácia, sim, para qualquer forma de infecção. Pessoas vacinadas há mais tempo tinham mais chances de serem infectadas pela Covid.”

Qual vacina deverá se aplicada na dose de reforço?

A preferência deverá ser a aplicação da terceira dose da Pfizer. “A recomendação do Ministério da Saúde é que a terceira dose, seja a para os imunossuprimidos ou a dose de reforço meses depois, seja feita com a Pfizer. A gente sabe que a Pfizer é mais imunogênica, ela dá mais intensidade e uma resposta imunológica maior. E esses esquemas heterólogos (quando há a mistura de duas vacinas)  são muito bons do ponto de vista imunológico, dando um nível de anticorpos mais elevado que duas da mesma vacina, e o mesmo tem sido visto para as doses de reforço”, explicou Mônica. Caso não haja doses da Pfizer disponíveis para aplicação, a preferência será pelas vacinas da AstraZeneca/Oxford e da Janssen.

O esquema de aplicação ainda pode ser alterado?

As orientações para aplicação da terceira dose podem mudar caso surjam evidências de que o procedimento não é o mais eficaz. Tais mudanças são naturais e acontecem de acordo com a análise de dados coletados em estudos. “Essas evidências vão vindo e a gente vai avaliando. Assim você estabelece qual é o grau e a duração da proteção e com o tempo se ela se mantém ou se é necessário reforço ou não. Isso acontece com todas as vacinas até que você identifique qual é o melhor esquema. E é normal que isso se modifique quando as evidências mudam”, explicou a diretora da SBIm.

Quem recebeu a vacina da Janssen deverá receber a dose de reforço?

Sim. Uma das determinações do Ministério da Saúde estabelece que as pessoas que tomaram a vacina de dose única da Janssen deverão receber duas aplicações. Uma delas será para completar o esquema primário, e outra, para servir de reforço para o ciclo vacinal. Essa alteração já foi aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration, a agência sanitária dos Estados Unidos equivalente à Anvisa). O Ministério da Saúde anunciou a mesma medida na última terça-feira, 16. A Janssen passa a ser vacina de duas doses, com dois meses de intervalo entre elas. Já a terceira aplicação será feita cinco meses após a segunda.