Troca de mensagens mostra resistência da Petrobras com plano de Guedes para gás

  • Por Jovem Pan
  • 19/04/2019 13h56 - Atualizado em 19/04/2019 13h56
EFE"Turma do gás quer criar Gestor de Gasoduto! Coisa de burocrata intervencionista!", diz uma das mensagens do grupo "Equipe Econômica"

Uma troca de mensagens em um grupo de whatsapp chamado “Equipe Econômica” mostra que o plano do ministro da Economia, Paulo Guedes, de abrir o mercado de gás encontra resistência em alguns setores da Petrobras. Em uma das mensagens, Guedes diz que o gerente executivo de Gás e Energia da estatal, Marcelo Cruz, quer “desvirtuar o projeto”.

A estratégia do governo é para acabar com o monopólio da Petrobras sobre o gás. O programa é chamado de “Novo Mercado de Gás”, e já tem ações para abrir o mercado de exploração e distribuição. Além de atacar o refino, o programa também quer quebrar o monopólio das distribuidoras estaduais.

O grupo da rede social tem representantes do ministério da Economia e presidentes de bancos públicos. Em uma das conversas, Guedes encaminha uma mensagem que havia recebido do economista Carlos Langoni, uma espécie de mentor de Guedes na área de gás.

“Gde (Grande) PG (Paulo Guedes): O Império contra ataca! Atenção: a turma do gás da PB (Petrobras) – contrária à abertura – quer criar um Gestor de Gasoduto! Coisa de burocrata intervencionista! No sense!”, afirma o economista na mensagem.

Langoni diz ainda que é preciso alertar “RCB e Luciano”, numa referência ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e a Luciano Irineu de Castro, principal conselheiro da área energética na época da campanha do presidente Jair Bolsonaro e assessor da presidência da Petrobras. E diz que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) é contra a “ideia maluca” de criação do gestor, que não discutiria o termo de ajuste que é negociado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a agência.

Em seguida, Guedes digita: “Marcelo Cruz… gerente de gás da Petrobras. Quer desvirtuar o projeto”. Na mesma conversa, uma segunda pessoa, identificada no celular do ministro como sendo o presidente do BNDES, Joaquim Levy, escreve: “liberdade ao gás… Langoni tá certo e temos que acelerar ajuste legislação dos estados. Abertura jah”.

Segundo o Estadão/Broadcast, plataforma de notícias em tempo real do Grupo Estado, apurou, o governo identificou que há certa “resistência interna” na Petrobras, mas que parte de um grupo pequeno, que defende a manutenção do controle estatal no mercado de gás. Isso, porém, não é considerado um obstáculo à implementação da agenda liberal defendida por Guedes.

Langoni tem sido o responsável pelas ideias que vêm sendo desenvolvidas pelo governo para o setor. Também egresso da Universidade de Chicago, como Guedes, ele é amigo do ministro de longa data e um dos expoentes do pensamento liberal no País.

Em nota, a assessoria de Langoni, que é diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, disse que ele e Guedes conversam regularmente sobre questões importantes e variadas da agenda econômica. “Langoni não tem qualquer ligação formal com a Petrobras ou com o governo”, completou.

Nos últimos dias, Levy tem defendido a “liberdade ao gás” pedida por ele no grupo.

Na segunda-feira, em debate organizado pelo Lide, ele disse que há “inúmeras oportunidades”. “A produção do gás no pré-sal só vai crescer mais se você aumentar a demanda. E só vai conseguir fazer isso se a distribuição do gás for mais barata”, completou.

*Com informações do Estadão Conteúdo