Varejo tem perda de R$ 203 milhões devido às chuvas de fevereiro no Sudeste

  • Por Jovem Pan
  • 28/02/2020 16h07 - Atualizado em 28/02/2020 16h14
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDOCidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram as capitais com maior volume de chuvas nos primeiros quinze dias deste mês

O varejo teve um prejuízo de aproximadamente R$ 203 milhões devido as chuvas que caíram nas três principais capitais da Região Sudeste na primeira quinzena de fevereiro. O estudo foi feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado no Rio de Janeiro.

Segundo o economista responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, isso equivale à perda de cerca de 0,5% em vendas. Medindo o impacto isolado nas capitais, o prejuízo alcançou R$ 122,9 milhões no mês, em São Paulo; R$ 46,4 milhões no Rio de Janeiro; e R$ 34,2 milhões, em Belo Horizonte.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Alerta Rio, as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram as capitais com maior volume de chuvas nos primeiros quinze dias deste mês.

O fato chamou a atenção dos economistas da confederação porque se trata das principais capitais brasileiras. “Isso afeta o nível de atividade, de modo geral, e a gente focou no comércio”, explica Bentes. Foram analisadas as séries históricas de chuvas nos três estados e cruzadas com dados do varejo. “A gente constatou que nos meses em que há uma quantidade de chuva muito acima da média, o varejo tende a ter resultados negativamente afetados.”

Foi o que aconteceu na primeira quinzena de fevereiro. O volume de chuvas foi 52% acima da média em Belo Horizonte, 41% em São Paulo e 100% no Rio de Janeiro. Na capital fluminense, houve acúmulo de 274 milímetros de chuva nos dias observados, “mais do que o dobro do que costuma chover no período”.

Impacto

O economista diz que o impacto no varejo se dá de duas maneiras. Uma é a perda de mercadorias, visto que a maioria dos varejistas de médio e pequeno porte não contam com seguro para essa hipótese de ocorrência. O outro é que a quantidade grande de chuva afeta a circulação dos consumidores, mesmo em ambientes mais resguardados das chuvas, como shopping centers, por exemplo. “Se tem o problema de congestionamento ou alagamento na cidade, isso afugenta o consumidor”. Mesmo com o efeito compensação das pessoas continuarem a consumir alimentos, o varejo perde as vendas casuais, principalmente o comércio de rua.

Fabio Bentes avalia que a diminuição de 0,5% das vendas pode parecer pouco. No entanto, esta foi a média de crescimento do varejo nos últimos sete meses. “É como se a gente tivesse perdido um mês de crescimento por conta das chuvas. Como se não bastasse a alta do dólar, o desemprego, que ainda está muito elevado, a gente teve esse fato extraordinário do aumento das chuvas, provocando as perdas significativas nas três principais cidades do Brasil”.

A primeira quinzena de fevereiro, bastante atípica em termos de chuva, atrapalhou a atividade do varejo, que enfrentou ainda o feriado do carnaval, quando muitos consumidores direcionam parte dos gastos para o setor de serviços. Além disso, o economista da CNC lembra que muita gente trabalhou por conta própria e isso acaba afetando a atividade também. Em Belo Horizonte, esse foi o fevereiro mais chuvoso em 16 anos.

* Com informações da Agência Brasil