Wesley Batista na CPMI da JBS: “vejo colaboradores presos e delatados soltos”

  • Por Jovem Pan
  • 08/11/2017 12h00
Luis Macedo/Câmara dos DeputadosSenador Ataídes Oliveira fala com Wesley Batista (dir.) durante depoimento à CPMI da JBS

Apesar de usar o direito constitucional de permanecer calado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS, Wesley Batista, um dos donos da J&F, disse em depoimento inicial que não descumpriu o acordo de delação que firmou com a Procuradoria-Geral da República e que “jamais” cometeu crimes pelos quais está preso.

Desde então, o executivo ouve em silêncio acusações e perguntas de parlamentares. O presidente da comissão Ataídes Oliveira (PSDB-TO) insistiu para que Wesley falasse, ameaçando pedir o rompimento de sua delação, e chegou a discutir com os advogados do dono da JBS.

Confira os principais trechos do que disse Wesley Batista em seu depoimento inicial.

“Não me arrependo de ter decidido colaborar com a Justiça brasileira”, garantiu Wesely Batista no início de sua fala. Ele classificou o acordo de delação como “o mais eficaz que já se viu até agora no País”.

O depoente afirmou que o acordo “afetou a vida de sua família”. Wesley relatou que “se tornar colaborador não é uma decisão fácil, é solitário, dá medo e causa muita apreensão”.

“Descobri que é um processo imprevisível e inseguro para quem decide colaborar, mas eu continuo acreditando na Justiça brasileira”, discursou.

“Acredito que estamos vivendo agora um imenso, imenso retrocesso daquilo que eu esperava ser um profundo processo de transformação do nosso País. O que vejo são colaboradores sendo punidos, perseguidos, pelas verdades que disseram. As delações dos últimos anos fizeram o País se olhar no espelho, mas como ele não gostou do que viu, o resultado tem sido esse: colaboradores presos e delatados soltos”, afirmou.

A delação da JBS implicou na denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer, barrada pela Câmara. O senador Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB, também foi acusado, mas permanece no cargo, assim como outros políticos citados pelos irmãos Batista.

Joesley e Wesley Batista são acusados e investigados por omitir informações em sua delação e operar com informações privilegiadas no mercado financeiro para lucrar, em ações e dólares, ante a repercussão econômica do vazamento da delação.

“Estou preso por um crime que jamais cometi. Jamais descumpri o acordo de colaboração celebrado com o Ministério Público Federal”, afirmou Wesley.

Por orientação de seus advogados, Wesley permaneceu em silêncio, para não comprometer complementos à sua delação propostos ao Ministério Público. Ele colocou-se à disposição de responder, no entanto, aos questionamentos tão logo sua situação jurídica for resolvida e ele obter “autorização expressa” da Procuradoria-Geral.

Desde as 10h10, Wesley ouve impassível perguntas e acusações de senadores e deputados, mantendo o direito de permanecer calado.

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