Caminhoneiros voltam a bloquear estradas para pressionar governo por acordo
Rio de Janeiro, 23 abr (EFE).- Centenas de caminhoneiros bloquearam rodovias federais em sete estados nesta quinta-feira, assim como em fevereiro, quando paralisaram estradas por 11 dias seguidos, como medida para pressionar o governo, com o qual negociam um aumento dos fretes, segundo porta-vozes sindicais.
Os bloqueios ocorreram um dia após uma reunião em Brasília que terminou sem acordos entre representantes do governo e dos sindicatos que representam os caminhoneiros.
Durante as negociações, o governo citou as 15 medidas adotadas para atender às reivindicações dos protestos dos caminhoneiros de fevereiro, mas os sindicatos alegaram que até agora não há nenhuma medida para aumentar o valor dos fretes, a principal demanda.
O governo rejeitou a proposta dos caminhoneiros de criar uma tabela de referência com os custos do transporte de carga, por isso os sindicatos convocaram novas manifestações a partir desta quinta-feira.
Em fevereiro, com os bloqueios, os caminhoneiros ameaçaram o fornecimento de combustível e alimentos de várias cidades, principalmente no sul do país.
Segundo porta-vozes dos sindicatos dos caminhoneiros, no primeiro dia do novo protesto foram bloqueadas estradas em sete estados: Minas Gerais, Ceará, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, explicou em entrevista coletiva no dia anterior que a tabela de preços de referência proposta pelos caminhoneiros para os fretes é “inviável” e “inconstitucional” porque as estradas têm diferentes características e o transporte de cargas não é uniforme em todas as regiões.
Após ser informado que os caminhoneiros tinham reiniciado os protestos, Rossetto afirmou nesta quinta-feira que o governo respeita o direito à manifestação, mas que as forças policiais terão que intervir porque “os caminhoneiros foram informados sobre a ilegalidade de qualquer tipo de bloqueio”.
“O governo vai garantir que as estradas estejam livres e o direito da sociedade ao trabalho e ao abastecimento”, afirmou.
De acordo com o ministro, a porcentagem de caminhoneiros que protestam devido à falta de acordo sobre os fretes é mínima e que a maioria aprovou as medidas já anunciadas pelo governo.
“Acreditamos que, quanto mais o setor souber de nossas propostas, maior será a adesão dos caminhoneiros a um acordo (com o governo). Eles reconhecem mudanças positivas e têm a expectativa de dar continuidade às negociações”, acrescentou.
Entre outras medidas para responder aos protestos de fevereiro, o governo perdoou as multas expedidas nos últimos dois anos por excessos de peso e transferiu a responsabilidade do pagamento desse tipo de infração às empresas proprietárias da carga. EFE
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