China luta contra corrupção, mas não respeita direitos humanos, segundo AI

  • Por Agencia EFE
  • 24/02/2015 21h32
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Londres, 24 fev (EFE).- O governo da China continuou em 2014 com sua campanha anticorrupção, principalmente contra líderes políticos, mas não mostrou o mesmo empenho para garantir o respeito aos direitos humanos no país, segundo o último relatório da Anistia Internacional (AI), divulgado hoje.

Mais de 100 mil funcionários foram investigados e punidos até o ano passado na China por crimes relacionados a corrupção, alguns diretamente vinculados ao governo, em operações que contaram com bastante publicidade de Pequim, afirma a ONG.

No entanto, a tentativa de limpar a administração de corruptos contrasta com a rigidez política de Pequim na hora de restringir o exercício de liberdades fundamentais, como o direito à liberdade de expressão e informação e a prática de detenções ilegais e formas de tortura.

Para a AI, os ativistas e os que defendem os direitos humanos na China estão expostos a perseguições e prisões arbitrárias. A tortura e outros maus tratos continuam sendo práticas generalizadas, e para muitas pessoas é difícil ter acesso à Justiça.

As minorias étnicas, entre elas a tibetana, a uigur e a mongol, sofrem discriminação e são vítimas de medidas repressivas de segurança cada vez mais pesadas.

A ONG calcula que um número sem precedentes de trabalhadores e trabalhadoras entrou em greve em 2014 para reivindicar melhores salários e condições, a maioria sem resultados.

Embora a Assembleia Nacional Popular tenha abolido de forma oficial o sistema chinês de reeducação pelo trabalho, as autoridades usaram outras formas de prisão arbitrária, como centros de formação em educação jurídica, diferentes formas de detenção administrativa, “prisões negras” e prisões domiciliares ilegais.

Além de ter identificado vários casos de tortura, a Anistia Internacional afirma que a China se tornou um dos principais fabricantes e exportadores de material antidistúrbio e de outros objetos que possam ser utilizados para cometer violações aos direitos humanos.

O relatório destaca a política do governo chinês em relação a minorias como a uigur, de confissão muçulmana, que é reprimida ao ser atribuída a diversos atos de violência.

As pessoas de etnia tibetana também continuam a sofrer discriminação e restrições de direitos. Vários líderes religiosos, escritores, manifestantes e ativistas da região foram detidos de forma arbitrária, segundo a ONG.

Enquanto isso, o número de imolações de tibetanos registradas desde março de 2011 já chegou a 131. As autoridades perseguiram seus parentes e amigos, aos quais acusaram de terem estimulado ou contribuído para os atos de protesto.

A AI também analisou as grandes manifestações de Hong Kong, em 2014, quando milhares de cidadãos saíram às ruas durante semanas para defender a democracia.

O governo de Pequim realizou diversas prisões de manifestantes reunidos no movimento “Occupy Central” e ordenou intervenções policiais que terminaram em agressões a cidadãos e abusos sexuais a mulheres, além de perseguição e intimidação, segundo informa a Anistia Internacional. EFE

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