Clima é de guerra em tempos de paz, diz brasileiro em isolamento na França
A França entrou em isolamento quase total às 12h (horário local, 8h no Brasil) desta terça-feira (17). Isso significa que os franceses e estrangeiros que estão no país só poderão sair de casa para urgências médicas, farmácias e supermercados.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, o jornalista Marc Tawil disse que o clima é de “guerra em tempos de paz”. “A França entrou em isolamento quase total, o presidente Emmanuel Macron determinou que os franceses não se encontrem por, pelo menos, 15 dias.”
Ele foi para a França com toda a família — incluindo os pais, que têm em torno de 80 anos — no início do mês para um evento familiar. Na época, a situação não era considerada grave na região.
“Agora, são duas palavras de ordem: estamos em uma guerra silenciosa e devemos agir como se estivéssemos infectados. Não é brincar, zombar e sair quando não precisa. Pessoas saudáveis podem acabar contaminando grupos de risco.”
De acordo com Marc, a postura do governo Macron é diferente da postura do governo brasileiro. “A firmeza que ele tem mandado aqui mostra uma preocupação real de conter o avanço do coronavírus. O governo é o principal ator nesse crise. Macron tomou a dianteira e dá exemplo para o mundo.”
Como tudo isso produz um efeito cascata, Emmanuel Macron mandou suspender todas as contas de luz e água das pequenas empresas. “A reforma da Previdência foi suspensa e as eleições foram adiadas — talvez para junho. A França parou e a preocupação agora é que todos trabalhem de casa. O clima é de guerra. Uma guerra em tempos de paz. Isso é triste e curioso ao mesmo tempo”, completou.
Marc Tawil e a família tem esperanças de voltar ao Brasil na noite da próxima quarta-feira (18), já que voos que cruzam o oceano não foram suspensos. “Voltando ao Brasil ficaremos em isolamento por, no mínimo, 14 dias. Sem amigos, sem parentes. sem pessoas para ajudar. Mas, se tivermos febre, não voltaremos.”