Alta da inflação não é transitória, mas Brasil agiu rápido, diz Guedes

Em painel no Fórum Econômico Mundial, ministro afirmou que economia brasileira retornou para onde estava antes da crise

  • 21/01/2022 11h41
MATEUS BONOMI/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO Paulo Guedes durante Solenidade alusiva à Sanção da Lei de Capitalização da Eletrobrás Ministro defendeu venda da Eletrobras para garantir a segurança energética brasileira

O ministro da Economia, Paulo Guedes, alertou nesta sexta-feira, 21, que a escalada da inflação observada nas maiores economias do mundo não é um fenômeno transitório e que as autoridades monetárias estão “dormindo no volante”. Apesar da visão pessimista, o chefe da equipe econômica afirmou que o Brasil ágil rápido para conter a variação de preços por causa das experiências que teve com a inflação fora do controle décadas atrás. “Acho que os Bancos Centrais estão dormindo no volante, eles deveriam estar mais atentos. A inflação vai ser um problema muito em breve para o ocidente. No Brasil, porque tivemos experiências trágicas com a inflação, nos movemos mais rápido”, disse.

Guedes participou de um painel virtual promovido pelo Fórum Econômico Mundial de Davos ao lado da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Gueorguieva, e outros responsais por políticas econômicas. Perguntado como o país vai lidar com o impacto que a alta dos juros terá no desempenho da economia, Guedes afirmou que o Brasil “é provavelmente o único país que está de volta exatamente onde estava antes da crise” e elencou uma série de ações tomadas para proteger as atividades econômicas.

O ministro ainda falou que o Brasil está preparado para agir caso haja piora da crise sanitária da Covid-19. Segundo Guedes, o governo federal fez acordo com farmacêuticas internacionais para fabricar as doses no país e exportar vacinas para os vizinhos. Em sua participação, Guedes também disse que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tinha potencial de crescer até 6% em 2021, mas foi reduzido para uma média de 4,5% devido à retirada dos estímulos dados durante a pandemia. “Não deixamos que os gastos temporários pelo problema na saúde se tornassem permanentes na máquina pública”, afirmou.