Brasil cria 280 mil empregos formais em maio, o 5º mês seguido de alta

Saldo é resultado de 1,5 milhão de contratações ante 1,2 milhão de demissões; setores de serviço e comércio lideram fomentação de trabalho com carteira assinada

  • Por Jovem Pan
  • 01/07/2021 10h43 - Atualizado em 01/07/2021 16h20
Amanda Perobelli/ReutersNúmero de contratações volta a superar o mês anterior após desaceleração em março e abril

O mercado de trabalho brasileiro criou 280.666 vagas formais ante demissões em maio, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério da Economia nesta quinta-feira, 1º. O saldo é resultado de 1.548.715 contratações e 1.268.049 demissões. Este foi o melhor desempenho para maio desde 2010 e representa o quinto mês seguido que o país registra diferença positiva na criação de trabalhos com carteira assinada. No acumulado desde janeiro, o saldo é de 1.233.372 empregos formais, com 7.971.258 admissões e 6.737.886 desligamentos. O desempenho de maio veio acima das 116.423 vagas criadas em abril e mostra a retomada do fôlego na criação de empregos após a edição de novas medidas de isolamento social no fim do primeiro trimestre. Em maio de 2020, a variação fechou com saldo negativo de 373.888 postos de trabalho em meio ao pessimismo econômico gerado pela pandemia do novo coronavírus.

Todos os grupamentos de atividades econômicas apresentaram saldo positivo. O setor de serviços foi o grande destaque, com a geração de 110.956 novos postos de trabalho formais. O comércio vem em segundo lugar, com 60.480 empregos. A indústria registrou 44.146 vagas, enquanto a agricultura fechou maio com 42.526 postos, e a construção com 22.611. Todas as regiões também tiveram saldo positivo. O Sudeste lidera com a criação de 161.767 postos, seguido pelo Nordeste, com 37.266 vagas de trabalho. O Sul criou 36.929 vagas, enquanto o Centro-Oeste encerrou o mês com 26.926 postos, e o Norte com 17.800.

Caged

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na semana passada que o governo deve lançar em breve o programa para estimular a entrada de jovens ao mercado de trabalho. O projeto é divido entre o Bônus de Inclusão Produtiva (BIP), custeado pela União, e o Bônus de Incentivo à Qualificação (BIQ), pago pela iniciativa privada. O governo prevê a distribuição de R$ 500 a R$ 600 por mês para que os beneficiados façam cursos profissionalizantes ou sejam integrados em programas de treinamento dentro das próprias empresas participantes. A primeira etapa do projeto vai abranger dois milhões de brasileiros, com idade entre 18 e 28 anos.

Os dados positivos do Caged contrastam com os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad–Contínua) que mostram a estabilização do desemprego em nível recorde no trimestre entre fevereiro e abril deste ano. Segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicado nesta quarta-feira, 30, a taxa de pessoas sem ocupação está em 14,7%, totalizando 14,8 milhões de brasileiros. A disparidade dos dados é reflexo das diferentes metodologias adotadas por cada pesquisa. O Caged leva em consideração as contratações e demissões de empresas formais, ou seja, apenas conta as vagas de trabalho com carteira assinada, excluindo funcionários públicos e autônomos. Já a pesquisa do IBGE apresenta um retrato que soma todos os tipos de ocupações, incluindo as informais. A coleta de dados também varia de um levantamento para o outro. Enquanto o Caged é alimentado pelas informações passadas pelas próprias empresas ao Ministério da Economia, a Pnad é feita através de amostras em domicílio. Este trabalho era realizado pessoalmente, mas passou a ser através de consultas por telefone desde o início da pandemia do novo coronavírus. Por último, o Caged soma dados de todos os municípios brasileiros, enquanto a pesquisa do IBGE é realizada em cerca de 3,5 mil municípios.