Com inflação no radar, dólar fecha acima de R$ 5,50 pela 1ª vez desde abril; Bolsa fica estável

Câmbio encerra em alta pelo quarto dia seguido às vésperas da divulgação do IPCA de setembro

  • Por Jovem Pan
  • 07/10/2021 18h44 - Atualizado em 07/10/2021 19h12
Rick Wilking/ReutersDólar segue em patamar elevado com risco fiscal no radar do mercado

O dólar renovou nesta quinta-feira, 7, a máxima dos últimos seis meses com a expectativa de aumento dos juros às vésperas da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, de setembro. O câmbio fechou com alta de 0,57%, a R$ 5,517, o maior valor desde 20 de abril, quando encerrou a R$ 5,550. O dólar chegou a bater a máxima de R$ 5,529, enquanto a mínima não passou de R$ 5,470. Esta foi a quarta sessão seguida de valorização do dólar ante o real. Apesar da recuperação das Bolsas internacionais, o Ibovespa, referência da B3, fechou praticamente estável, com leve alta de 0,02%, aos 110.585 pontos. “O pregão não foi melhor em vista da alta dos juros futuros e, por consequência, da queda das empresas do setor doméstico, ainda refletindo os fracos resultados da atividade econômica brasileira no começo da semana, o que reduz ainda mais a expectativa de crescimento e, assim, de lucro para as empresas”, afirma Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

No cenário internacional, os mercados seguem acompanhando as negociações nos Estados Unidos sobre o teto da dívida pública. O clima negativo deu trégua em meio ao avanço das conversas entre republicanos e democratas para chegar a um acordo que evite o calote do governo. Na agenda doméstica, as atenções se voltam para a divulgação do IPCA de setembro nesta sexta-feira. O indicador foi a 9,68% em agosto, e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, já afirmou que ele deve continuar subindo até atingir o pico em setembro. A alta da inflação forçou o BC a acelerar a trajetória de elevação dos juros. A autoridade monetária subiu a Selic a 6,25% ao ano ao acrescentar 1 ponto percentual na taxa na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), e afirmou que deve manter esse ritmo no próximo encontro. O mercado estima que a Selic encerre 2021 a 8,25% ao ano, e passe para 8,5% em 2022. Na ata do último encontro, o BC sinalizou que a trajetória de alta deve se estender para além do previsto inicialmente. Segundo Campos Neto, a entidade mira atingir a meta de 2022, e já começa a observar os efeitos da taxa na inflação prevista em 2023.