Com novo presidente da Petrobras confirmado, governo terá desafio de renovar Conselho de Administração

Como acionista majoritário, União tem direito a indicar maioria dos nomes, além do presidente, mas pode ter dificuldades para serem aprovados

  • Por Jovem Pan
  • 27/06/2022 19h25
Tânia Rêgo/Agência Brasil Fachada da Petrobras escrito em prata em uma placa Acionistas da Petrobras terão que confirmar nomes indicados pelo governo

O Conselho de Administração da Petrobras confirmou nesta segunda, 27, Caio Paes de Andrade como novo presidente da empresa. Indicado pelo governo federal, Andrade terá o desafio de evitar novos aumentos nos preços dos combustíveis, o que levou à queda de seus três antecessores durante a gestão Bolsonaro. No entanto, a União terá outro desafio: o de renovar o próprio Conselho de Administração. O órgão interno da estatal é composto por 11 pessoas, dos quais até oito podem ser indicados pelo governo – o presidente da companhia e outras sete pessoas. Como o presidente anterior, José Mauro Coelho, foi indicado ao lado de outros sete em abril e renunciou, o governo deve indicar outros nomes para ocuparem os lugares, ou os mesmos para serem reconduzidos.

As indicações devem passar por avaliação dos currículos no Comitê de Elegibilidade (Celeg) interno e, em sequência, serem votadas pelos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada com 30 dias de antecedência. Dentre os nomes, alguns não devem ter problemas: Gileno Gurjão Barreto, presidente do SERPRO, deve ser tornar o novo presidente do Conselho; Edison Garcia, presidente da CEB (Companhia Energética de Brasília), empresa do governo do Distrito Federal; Marcio Weber, o atual presidente do Conselho, e Ruy Flacks Schneider, que também já é parte do órgão.

Já os outros três, Jhonatas Assunção, Ricardo Soriano e Iêda Cagni podem ter problemas devido a conflitos de interesses por seus cargos no governo. Assunção é o número dois do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e a Lei das Estatais veda a nomeação de titular de cargo “de natureza especial ou de direção e assessoramento superior na administração pública”. Soriano e Cagni são servidores da PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) —o primeiro chefia o órgão, que é parte em processos fiscais contra a estatal. Os indicados do governo terão que disputar disputar com o banqueiro João José Abdalla Filho, conhecido como Juca Abdalla, que indicou a si próprio e ao advogado Marcelo Gasparino para o colegiado – eles haviam sido eleitos em abril, mas terão que concorrer novamente após a renúncia de Coelho. As outras três vagas remanescentes são duas dos acionistas minoritários e uma dos trabalhadores da companhia, que seguem em suas cadeiras por terem sido eleitos anteriormente.