Conta de luz deve ficar 5% mais cara em 2022 com maior uso de termelétricas

Diretor-geral da Aneel, André Pepitone, também afirma que bandeira tarifária deve sofrer acréscimo de 20% nas próximas semanas

  • Por Jovem Pan
  • 15/06/2021 16h07 - Atualizado em 15/06/2021 17h39
Agência BrasilEncarecimento da energia elétrica volta a pressionar a alta da inflação

As ações do governo para evitar o desabastecimento de energia elétrica por causa da recente crise hídrica devem impactar no aumento de até 5% da conta de luz em 2022, afirmou André Pepitone, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), nesta terça-feira, 15. O acréscimo é reflexo do aumento do uso de usinas termelétricas, que possuem custo maior, em meio à desaceleração da produção de hidrelétricas devido a queda do volume de água nos reservatórios. Dados do governo federal apontam que o país enfrenta a pior crise hídrica em 91 anos. Segundo Pepitone, a ativação das usinas movidas com fontes térmicas já custaram R$ 4 bilhões até abril, e devem consumir um total de R$ 9 bilhões até o fim do ano. “Isso vai ter impacto adicional na tarifa de 5%”, afirmou o diretor-geral.

Em audiência da Câmara dos Deputados para tratar da nova crise hídrica e os seus efeitos aos consumidores, Pepitone também disse que a mudança na bandeira tarifária pode superar os 20%. O movimento, porém, não significa que o mesmo valor será transferido aos consumidores. O sistema de bandeiras serve para informar se haverá necessidade de acréscimo nas tarifas de acordo com os custos para a geração de energia. Atualmente, está em vigor a bandeira vermelha — patamar 2, que representa a cobrança de R$ 6,24 para cada 100 kWh de energia consumidos. Segundo o diretor-geral, essa cobrança pode ser elevada para acima de R$ 7 nas próximas semanas. “A geração do país subiu pelo fato de não termos água para gerar nas nossas hidrelétricas, essa energia será gerada nas térmicas, logo esse custo vai ser apresentado por meio do mecanismo das bandeiras”, afirmou.

A Aneel também informou nesta terça-feira que vai manter a suspensão do corte de energia por inadimplência dos consumidores de baixa renda até 30 de setembro. A medida, que estava prevista para ser encerrada em 30 de junho, deve contemplar aproximadamente 12 milhões de famílias. Para o relator do processo, Hélvio Guerra, “é importante reconhecer que a pandemia afeta de forma mais intensa a parcela mais vulnerável da população, para a qual a fatura de energia representa proporção mais significativa do orçamento familiar, e com isso a resolução traz medidas protetivas que permitem suportar esse período da pandemia com a manutenção de um serviço que é essencial”.