Crise comercial da China e EUA é ‘janela de oportunidade’, diz ministra da Agricultura

  • Por Jovem Pan
  • 06/05/2019 16h21
DivulgaçãoSegundo a ministra, isso poderia impactar positivamente nas exportações brasileiras do agronegócio

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta segunda-feira (6) que caso os Estados Unidos e a China não cheguem a um acordo e as tarifas de importação para produtos chineses aumentarem, o Brasil pode ser beneficiado. O presidente Donald Trump anunciou neste domingo (5) que pretende elevar as taxas de 10% para 25% para cerca de US$ 200 bilhões em mercadorias vindas da China. Além disso, ele ameaçou tarifar “em breve” em 25% o equivalente a US$ 325 bilhões em outros produtos da China e reclamou do andamento lento das negociações de comércio bilaterais.

Segundo a ministra, isso poderia impactar positivamente nas exportações brasileiras do agronegócio. “Primeiro a gente precisa saber se foi só um recado, se durou ou se vai se efetivar. É claro que se os Estados Unidos e a China não entrarem em acordo e essas tarifas não voltarem ao que eram antes, realmente, é uma janela de oportunidade a mais para o Brasil”, avaliou ao participar de reunião do Conselho Superior do Agronegócio na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na madrugada desta terça-feira (7) Tereza embarca para a Ásia, onde tentará abrir mercados para o Brasil, principalmente no setor de proteína animal. “Eu vou chegar lá em meio a toda essa negociação (China e EUA) e eu vou fazer uma leitura do que isso pode representar para o Brasil, principalmente para a soja, que é nossa grande preocupação”, afirmou. O país é concorrente dos EUA na exportação de soja para a China. “Já a carne, os chineses terão que importar para suprir sua demanda interna e hoje já tem um alto preço, então o Brasil pode colaborar um pouco para que esses preços possam cair.”

Além da carne suína, Tereza Cristina disse que o Brasil pretende oferecer uma série de produtos para os chineses, como café, frutas e carne de frango. “Nós somos parceiros confiáveis. Nós temos qualidade e temos volume de soja, milho, que fazem parte da dieta dos animais. Nós temos outras proteínas que podem entrar nessa janela de oportunidades”, acrescentou.

No primeiro trimestre de 2019, as vendas de soja triturada do Brasil para China (US$ 4,75 bilhões) corresponderam a 9% do valor arrecadado com o total de exportações (US$ 52,6 bilhões). No período, de cada US$ 100 que o país captou com a venda do produto em todo o mundo, US$ 77,48 vieram da China.

* Com informações do Estadão Conteúdo