Em dia tenso, Dólar chega em R$ 5,31, mas fecha em baixa

  • Por Jovem Pan
  • 06/04/2020 18h53 - Atualizado em 06/04/2020 18h54
BRUNO ROCHA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDODólar nesta terça-feira (23)

Um fator político interno, como notícias indicando a possibilidade de o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, deixar o governo, fez o real destoar, no fim do dia, do movimento forte de valorização de moedas emergentes que vinha acompanhando desde a manhã – o que levou o dólar frente à moeda brasileira a custar R$ 5,22 no piso do dia.

Após os rumores, o real se desvalorizou algo em torno de R$ 0,07 e a cotação em relação ao dólar foi em direção à casa dos R$ 5,31, na máxima do dia. No entanto, perto do final da sessão, pesou mais o enfraquecimento da divisa americana no exterior e a cotação encerrou em R$ 5,2926 (-0,65%).

“Com certeza, esses ruídos políticos internos pesam e acabam, como hoje, impedindo que o real performe melhor que seus pares emergentes. No entanto, o que está dando o rumo da moeda americana em todos os mercados é o que diz respeito à previsibilidade – ou a falta dela – sobre os efeitos da crise advinda do coronavírus”, avaliou Roberto Motta, responsável pela mesa de futuros da Genial Investimentos.

De acordo com ele, enquanto o mercado não tiver clareza de como vai se comportar e de como vai se dar esse processo de achatamento da curva de contágio da pandemia, o dólar vai subir.

Ele lembra que, com esse pano de fundo da crise do coronavírus, que levou à conjuntura de aversão ao risco, o Brasil teve um dos maiores saques da indústria de fundos emergentes em março. “Mas o Banco Central segue dando liquidez ao sistema. O dia em que a moeda brasileira tiver pior do que seus emergentes, a artilharia será maior”, afirma Motta.

No final de semana, o presidente do BC, Roberto Campos Neto disse que a autoridade monetária vai “vender câmbio quando entender que o Brasil está se descolando”. “Se houver disfuncionalidade, aí, sim, podemos vender muito mais reservas”, afirmou o presidente em Live promovida pela XP Investimentos no sábado à noite.

Na avaliação de José Faria Junior, da Wagner Investimentos, não há como afirmar que o pior desta conjuntura já passou. Para ele, o mercado segue comprador de dólares.

*Com informações do Estadão Conteúdo