Dólar cai à espera da taxa de juros e com bom humor internacional; Ibovespa sobe

Comitê de Política Monetária (Copom) divulga o futuro da Selic nesta quarta-feira em meio ao aumento das perspectivas para a inflação

  • Por Jovem Pan
  • 02/08/2021 12h22
ROBERTO GARDINALLI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Mão segura notas de US$ 100 e R$ 100 Dólar mantém trajetória de queda ante o real pelo terceiro dia seguido

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro operam nesta segunda-feira, 2, no campo positivo com o bom humor internacional. No cenário doméstico, investidores aguardam pela manifestação do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o futuro da taxa básica de juros, na quarta-feira, 4. Por volta das 12h15, o dólar registrava queda de 1,30%, cotado a R$ 5,142. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,195, enquanto a mínima não passou de R$ 5,137. A moeda encerrou a semana passada com forte alta de 2,57%, a R$ 5,200, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que o país deve se endividar para financiar o aumento do Bolsa Família. Seguindo o otimismo internacional, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores, registrava alta de 2%, aos 124.234 pontos. O índice encerrou a semana passada com queda de 3,08%, aos 121.800 pontos.

Investidores iniciam a semana à espera da decisão do Banco Central para a Selic. O Copom se reúne nesta terça e quarta-feira para debater os rumos da taxa de juros, atualmente em 4,25% ao ano. A recente aceleração do IPCA faz o mercado apostar em um acréscimo de 1 ponto percentual, elevando a Selic para 5,25%. No último encontro, em junho, o colegiado sinalizou que deveria repetir a dose de 0,75 ponto percentual, mas “deixou a porta aberta” para um acréscimo mais robusto. Em entrevista à Jovem Pan, o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que a autoridade monetária tem condições de controlar a inflação, mas precisa “tomar uma atitude firme”. O mercado financeiro voltou a elevar a perspectiva para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação brasileira. Esta é a 17ª semana consecutiva que a estimativa é revisada para cima. Na edição passada, a previsão indicava alta de 6,56%. O BC persegue a meta inflacionária de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 2,25% e 5,25%. A prévia do índice foi a 0,72% em julho, o maior valor desde 2004, e acumulou 8,59% nos últimos 12 meses. Os analistas do mercado também revisaram para cima a expectativa para o IPCA de 2022, de 3,80% para 3,81%. A meta para o BC no ano que vem é de 3,50%, com variação entre 2% e 5%.

Apesar do novo avanço com as expectativas para a inflação, o mercado manteve a previsão da Selic, a principal ferramenta do BC para conter a variação dos preços, em 7% ao ano em 2021 e 2022. A  estimativa com o Produto Interno Bruto (PIB) também foi revista para cima, com alta de 5,30%, ante 5,29% na edição passada. Foi a 15ª semana seguida que a pesquisa do BC mostrou maior otimismo com a recuperação da economia brasileira em 2021. Para o ano que vem, a previsão se manteve em avanço de 2,10%. A mediana para o câmbio também sofreu leve mudança, de R$ 5,09 para R$ 5,10.