Mercado encosta a previsão da inflação em 6,8% e revisa PIB para cima em 2021

Às vésperas do encontro do Copom para decidir o futuro da taxa de juros, fontes do Banco Central elevam a estimativa do IPCA pela 17ª semana seguida

  • Por Jovem Pan
  • 02/08/2021 11h29 - Atualizado em 02/08/2021 12h24
Marcello Casal Jr./Agência BrasilMercado passa a ver inflação a 6,79% em 2021 e eleva estimativa de 2022 para 3,81%

O mercado financeiro elevou mais uma vez as expectativas para a inflação e a retomada da economia em 2021, segundo números do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 2. A mediana da pesquisa do Banco Central com mais de 100 instituições apontou para o avanço de 6,79% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o medidor oficial da inflação brasileira. Esta é a 17ª semana consecutiva que a estimativa é revisada para cima. Na edição passada, a previsão indicava alta de 6,56%. O BC persegue a meta inflacionária de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 2,25% e 5,25%. A prévia do índice foi a 0,72% em julho, o maior valor desde 2004, e acumulou 8,59% nos últimos 12 meses. A alta foi impulsionada pelo encarecimento da energia elétrica em meio à pior crise hídrica do país nos últimos 90 anos. O presidente da autoridade monetária nacional, Roberto Campos Neto, já admitiu que a inflação vai fechar o ano acima do limite máximo ao projetar avanço de 5,8%. Os analistas do mercado também revisaram para cima a expectativa para o IPCA de 2022, de 3,80% para 3,81%. A meta para o BC no ano que vem é de 3,50%, com variação entre 2% e 5%.

Apesar do novo avanço com as expectativas para a inflação, o mercado manteve a previsão da Selic, a principal ferramenta do BC para conter a variação dos preços, em 7% ao ano em 2021 e 2022. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça e quarta-feira para debater os rumos da taxa de juros, atualmente em 4,25% ao ano. A recente aceleração do IPCA faz o mercado apostar em um acréscimo de 1 ponto percentual, elevando a Selic para 5,25%. No último encontro, em junho, o colegiado sinalizou que deveria repetir a dose de 0,75 ponto percentual, mas “deixou a porta aberta” para um acréscimo mais robusto. Em entrevista à Jovem Pan, o ex-presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que a autoridade monetária tem condições de controlar a inflação, mas precisa “tomar uma atitude firme”.

A estimativa com o Produto Interno Bruto (PIB) também foi revista para cima, com alta de 5,30%, ante 5,29% na edição passada. Foi a 15ª semana seguida que a pesquisa do BC mostrou maior otimismo com a recuperação da economia brasileira em 2021. Para o ano que vem, a previsão se manteve em avanço de 2,10%. A mediana para o câmbio também sofreu leve mudança, de R$ 5,09 para R$ 5,10. O dólar retomou a trajetória de alta no início de julho com o recrudescimento do ambiente político doméstico e a disseminação da variante Delta da Covid-19 em diversas partes do mundo. Desde o dia 1º de julho, a moeda norte-americana voltou a ser negociada acima de R$ 5. O câmbio saltou 2,5% e foi a R$ 5,20 na sexta-feira, 30, após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmar que o país deve se endividar para custear o aumento do Bolsa Família. A divisa abriu esta semana com viés de baixa, cotada na casa de R$ 5,15.