Dólar dispara e ultrapassa R$ 5,87 com ‘risco Lula’ e PEC Emergencial

Investidores analisam possibilidades com ex-presidente hábil para disputar eleições e risco de guinada populista na política econômica

  • Por Jovem Pan
  • 09/03/2021 11h28 - Atualizado em 09/03/2021 11h34
DANILO M YOSHIOKA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Ex-presidente Lula falou nesta quinta-feira sobre anulação dos seus processos na Lava Jato e julgamento do ex-juiz Sergio Moro no STF

O dólar voltou a disparar nesta terça-feira, 9, um dia depois de o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anular os processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato, tornando o petista hábil para disputar novas eleições. Por volta das 11h25, a moeda avançava 1,41%, a R$ 5,859. A divisa chegou a bater máxima de R$ 5,874, enquanto na mínima não passou de R$ 5,807. O câmbio encerrou na véspera com avanço de 1,66%, a R$ 5,778, a maior cotação desde 15 de maio do ano passado, quando fechou a R$ 5,839. Apesar do cenário doméstico, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, segue os principais mercados internacionais e opera com leve alta de 0,16%, aos 110.790 pontos. O pregão desta segunda-feira,8, fechou com queda de 3,98%, aos 110.611 pontos.

Em um movimento que pegou o mercado de surpresa, Fachin anulou todas as condenações do ex-presidente pela Justiça Federal no Paraná relacionadas às investigações da operação Lava Jato. O ministro também determinou que os autos sejam remetidos à Justiça do Distrito Federal. Em sua decisão monocrática, Fachin, relator da Lava Jato no STF, entendeu que a 13ª Vara Federal não é competente para julgar e processar o petista. Na prática, estão anuladas as condenações dos casos do tríplex do Guarujá, do sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, e do Instituto Lula. A decisão devolve os direitos políticos ao petista e o torna hábil para disputar novas eleições. O mercado teme que a possibilidade de Lula concorrer contra Jair Bolsonaro em 2022 estimule uma guinada populista do presidente como meio de manter a popularidade elevada, contrariando a agenda liberal e de corte de gastos proposta pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ainda no cenário doméstico, o mercado acompanha as negociações nos bastidores antes da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial ser levada ao plenário da Câmara, nesta terça-feira. Rumores indicam a desidratação do texto que abre espaço para a volta do auxílio emergencial, o que resultaria em derrota no efeito da medida para a contenção de despesas e ajuste fiscal. A matéria passou pelo Senado com a emenda de limitar o benefício em R$ 44 bilhões. O governo federal aguarda a PEC ser aprovada também pelos deputados para então publicar a medida provisória que autoriza a retomada do auxílio. O ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou que as parcelas serão de R$ 175 a R$ 375, dependendo da configuração familiar.