Dólar e Bolsa fecham em queda à espera de juros no Brasil e nos EUA

Após passar maior parte do dia em alta, câmbio inverte sinal e cai para R$ 5,04; Ibovespa segura os 130 mil pontos

  • Por Jovem Pan
  • 15/06/2021 17h46 - Atualizado em 15/06/2021 19h11
Agência BrasilCâmbio devolve parte das perdas registradas na véspera

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam em queda nesta terça-feira, 15, às vésperas das divulgações das taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil. Diante deste clima de incertezas, o dólar encerrou o dia com queda de 0,55%, cotado a R$ 5,043. A variação do câmbio chegou a atingir a máxima de R$ 5,105, enquanto a mínima não passou de R$ 5,039. A divisa fechou nesta segunda-feira com queda de 1,01%, a R$ 5,071. O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, fechou com leve baixa de 0,09%, aos 130.091 pontos. O pregão da véspera encerrou com avanço de 0,59%, aos 130.207 pontos.

Investidores aguardam pela posição da autoridade monetária dos EUA e as possíveis mudanças na política de estímulos. A expectativa é que o Fed mantenha os juros baixos e a compra de títulos públicos, a despeito do crescimento da inflação em abril e maio. A mudança na estratégia poderia impactar em um crescimento menor da principal economia do globo e drenar parte dos dólares do mercado internacional. Já no Brasil, a situação é o inverso. A maior aposta do mercado é para um novo acréscimo de 0,75 ponto percentual da Selic, jogando a taxa para 4,25% ao ano. Porém, cada vez mais analistas enxergam a necessidade de uma alta mais robusta, em torno de 1 ponto percentual, para conter o avanço inflacionário. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi a 0,83% em maio e acumulou alta de 8,06% em 12 meses. A alta dos juros deve seguir até o fim do ano por causa do processo de recomposição integral da política monetária. A expectativa do mercado é que a Selic encerre 2021 a 6,25%, segundo dados do Boletim Focus divulgados nesta segunda-feira, 14.

No cenário doméstico, as atenções seguem os desdobramentos em Brasília para a votação da Medida Provisória para a privatização da Eletrobras, que deve ser pautada pelo Senado nesta quarta-feira. Entre os pontos de debate, se destacam a preocupação da perda da soberania no setor elétrico, o aumento da tarifa de luz e a perda de fontes renováveis de energia. Atualmente, a Eletrobras é responsável por pelo menos 30% da energia do país e gerou R$ 30 bilhões de lucros nos últimos três anos. Um estudo da consultoria legislativa do Senado apontou que a MP é inconstitucional. O documento mostrou que a legislação exige a realização de licitação para a venda de estatais e usinas. Assim, não seria possível, segundo nota da consultoria, “adotar casuisticamente o aumento de capital mediante subscrição pública de ações, um instrumento do direito societário, como se licitação pública fosse”.