Dólar fica abaixo de R$ 5,50 com alta recorde do petróleo; Bolsa avança

Barril usado como referência da Petrobras atinge a maior cotação em sete anos e acende alerta para novos reajustes nos combustíveis

  • 19/01/2022 13h11
Antara Foto/Hafidz Mubarak/via Reuters Mão segura diversas cédulas de dólar Dólar avança com pressão internacional em meio entraves da guerra no Leste Europeu

Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro operam no campo positivo nesta quarta-feira, 19, impulsionados pela alta recorde no barril de petróleo. No cenário doméstico, investidores analisam os impactos que a disparada da commoditie pode ter sobre a inflação com novos reajustes dos combustíveis e acompanham os desdobramentos das mobilizações de servidores federais por aumentos salariais. Por volta das 13h, o dólar registrava forte queda de 1,68%, a R$ 5,467. Caso a tendência se confirme, a divisa norte-americana fechará abaixo de R$ 5,50 pela primeira vez em mais de dois meses. O câmbio chegou a bater a mínima de R$ 5,466, enquanto a máxima não passou de R$ 5,553. Seguindo o bom humor internacional, o Ibovespa, referência da B3, operava com alta de 1,62%, aos 108.391 pontos, o melhor patamar em cerca de um mês.

Investidores em todo o mundo acompanham a trajetória de alta do barril do petróleo ao maior patamar em sete anos em meio às tensões geopolíticas e alta da demanda. No início desta tarde, o barril Brent, usado como referência da Petrobras, registrava alta de mais de 1%, comercializado acima de US$ 88. O avanço puxa o setor de commodities, o principal nicho deas exportações brasileiras, mas também acende a preocupação sobre os impactos na inflação. Os combustíveis foram os grandes vilões da variação de preços em 2021, e podem manter o protagonismo nos próximos meses com tendência de reajustes da Petrobras devido à política de paridade internacional.

Os agentes do mercado financeiro também acompanham os desdobramentos que a paralisação geral de servidores nesta terça-feira, 18, terá nas negociações por reajustes. Os atos foram liderados pelo Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), que reúne 37 entidades associativas e sindicais e representa mais de 200 mil servidores. A equipe econômica se posicionou contrária à concessão após o presidente Jair Bolsonaro (PL) sinalizar reajustes apenas para a categoria de segurança pública. As repercussões negativas, no entanto, levaram o governo a mudar o discurso e indicar que não será dado nenhum aumento. Análises dentro e fora do governo dão como certa a quebra do teto de gastos caso Bolsonaro autorize os reajustes. A medida deve levar ao recrudescimento da percepção de expansão dos gastos públicos, impactando diretamente na manutenção da inflação elevada e na necessidade de aperto dos juros.