Dólar recua com PEC Emergencial e inflação no radar; Ibovespa sobe

Texto foi aprovado em primeiro turno com limite de R$ 44 bilhões para auxílio e amarras fiscais; deputados devem fazer votação final nesta quinta-feira

  • Por Jovem Pan
  • 11/03/2021 10h37
Willian Moreira/Estadão ConteúdoDólar abre o mês em queda com mercados à espera da decisão do Banco Central sobre o futuro da taxa de juros

O mercado financeiro mantém o ritmo de recuperação nesta quinta-feira, 11, pressionado pelo avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial na Câmara e com o aumento de 0,86% da inflação em fevereiro, o que leva o acumulado nos últimos 12 meses para 5,2% — próximo do teto de 5,25% perseguido pelo Banco Central. Por volta das 10h30, o dólar caia 0,87%, a R$ 5,603 depois de bater máxima de R$ 5,620 e mínima de R$ 5,577. O câmbio encerrou a véspera com recuo forte de 2,49%, cotado a R$ 5,652. Seguindo o bom humor dos mercados lá fora, o Ibovespa, principal índice da B3, avançava 1%, aos 113.896 pontos. O pregão desta quarta-feira, 10, fechou com alta de 1,3%, aos 112.776 pontos.

A PEC Emergencial foi aprovada da Câmara em primeiro turno na madrugada desta quinta-feira após quase 14 horas de debate no plenário. O texto, que abre espaço para a retomada do auxílio emergencial, volta para a pauta nesta manhã para a votação em segundo turno. A proposta aprovada pelos deputados manteve o limite de R$ 44 bilhões para o pagamento do auxílio e as cláusulas de austeridade defendidas pela equipe econômica. O texto, porém, foi desidratado após acordo para retirar o artigo que proíbe promoção e progressão de todos os servidores públicos em momentos de calamidade pública. Esta mudança será apresentada no segundo turno. Em contrapartida, os deputados rejeitaram um destaque que pretendia acabar com todos os chamados “gatilhos” da PEC Emergencial, que são acionados quando as despesas da União ou dos Estados corresponderem a 95% das receitas correntes.

Ainda na pauta doméstica, investidores analisam o novo salto da inflação após a perda de fôlego em janeiro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados hoje mostram avanço de 0,86%, puxado principalmente pelo encarecimento da gasolina e outros combustíveis. O valor deve pressionar o Banco Central a subir a Selic, o principal instrumento para controle inflacionários, já na próxima reunião nos dias 16 e 17 de março. Atualmente a taxa de juros básico da economia brasileira está em 2% ao ano, o menor patamar histórico. A expectativa de analistas é que a autoridade monetária nacional incie movimento de subida de 0,25% nos próximos meses, elevando a taxa de juros para aproximadamente 4% até o fim de 2021.