Dólar recua com votação da PEC dos Precatórios no radar; Bolsa sobe

Texto que autoriza o adiamento de dívidas da União, muda regras do teto de gastos e dá sustento para o Auxílio Brasil de R$ 400 está na ordem do dia da Câmara dos Deputados

  • Por Jovem Pan
  • 09/11/2021 11h37
Gary Cameron/ReutersDólar inverte e fecha em alta pelo terceiro dia seguido

Os principais indicadores do mercado financeiro operam no campo positivo nesta terça-feira, 9, com as atenções voltadas na mobilização do governo e da oposição para a votação em segundo turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios na Câmara dos Deputados. O texto, que autoriza o adiamento de dívidas da União, muda regras do teto de gastos e dá sustento para o Auxílio Brasil de R$ 400, está na ordem do dia. Por volta das 11h30, o dólar operava com queda de 0,81%, cotado a R$ 5,496. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,549, enquanto a mínima não passou de R$ 5,482. A divisa norte-americana encerrou a véspera com alta de 0,33%, a R$ 5,541. Impulsionada pela divulgação de balanços corporativos, o Ibovespa, referência da Bolsa de Valores brasileira, registrava alta de 1,46%, aos 106.311 pontos. O pregão desta segunda-feira, 8, fechou praticamente estável, com leve queda de 0,04%, aos 104.781 pontos.

O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL) afirmou nesta segunda-feira que está confiante na aprovação da PEC dos Precatórios em segundo turno após a vitória com a margem de apenas quatro votos na semana passada. A medida precisa somar 308 votos. Caso seja aprovada, ela vai ao Senado, onde o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já admitiu que deve encontrar resistência. Em meio aos desdobramentos no Congresso, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, negou nesta manhã a suspensão da tramitação e votação da PEC solicitada por deputados federais e partidos políticos. Ainda na pauta do STF, quatro ministros votaram favoráveis à suspensão do chamado “orçamento secreto”, apontado pela oposição como forma de barganha para que parlamentares aprovem as matérias governistas. Diferentemente das emendas individuais de deputados e senadores, elas não seguem critérios usuais de transparência e são definidas com base em acertos informais entre o Palácio do Planalto e parlamentares aliados. Os membros do STF têm até o fim desta quarta-feira, 10, para se manifestarem de forma virtual.

Ainda na pauta doméstica, os investidores analisam os resultados positivos da temporada de balanços corporativos das empresas listadas na B3. O Banco do Brasil reportou nesta segunda-feira que teve lucro ajustado de R$ 5,1 bilhões no terceiro trimestre — alta de 47,6% na comparação com o mesmo período de 2020. O resultado faz o banco somar lucro de R$ 15,1 bilhões entre janeiro e setembro, 48,1% a mais do que o reportado nos nove primeiros meses do ano passado. O BB ainda mudou as projeções de lucro líquido em 2021 para a faixa de R$ 19 bilhões a R$ 21 bilhões, ante expectativa de R$ 17 bilhões a R$ 20 bilhões.

No cenário internacional, o mercado aguarda pela divulgação de dados da inflação ao produtor dos EUA (PPI, na sigla em inglês). O resultado deve servir como termômetro para avaliar os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, na política de estímulos monetários. Na semana passada, o Fed anunciou a redução gradual em novembro e dezembro da compra de títulos públicos, mas manteve a taxa de juros próxima dos patamares mínimos de 0% e 0,25%. Ainda na pauta externa, o Fed publicou nesta segunda-feira o Relatório de Estabilidade Financeira e chamou a atenção para os imbróglios no mercado imobiliário da China. O setor virou foco de atenção pelo alto endividamento das empresas, representado principalmente pela gigante Evergrande, que pode trazer instabilidade para o mercado financeiro global.