Dólar vai a R$ 5,60 com risco fiscal e cenário externo; Ibovespa volta aos 110 mil pontos

Rumores de saída do presidente do Banco do Brasil, falta de consenso para aprovação da PEC Emergencial e expectativa de aumento da inflação nos EUA pressionam o humor dos investidores

  • Por Jovem Pan
  • 26/02/2021 18h49 - Atualizado em 26/02/2021 19h51
PixabayIbovespa encerra fevereiro com queda de 4,37%. Desde o início de 2021, principal índice da B3 recuou 7,54%

O mercado financeiro brasileiro encerrou esta sexta-feira, 26, pressionado com o risco da retomada do auxílio emergencial sem que medidas de austeridade sejam aprovadas no Congresso e boatos de que o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, colocou seu cargo à disposição apenas cinco meses depois de assumir o cargo. O clima pesado fez o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, recuar 1,98%, aos 110.035 pontos. Este foi o pior desempenho desde o fim de novembro. O pregão fechou esta quinta-feira, 25, com queda de 2,95%, aos 112.256 pontos. O resultado desta sexta-feira faz o Ibovespa encerrar a semana com recuo de 7,08%, enquanto no mês o tombo foi de 4,37%. Desde o início de 2021, o principal índice da B3 registra baixa de 7,54%. As turbulências domésticas e o mau humor no exterior com investidores apreensivos com o aumento da inflação nos Estados Unidos fizeram o dólar disparar para R$ 5,605 após registrar alta de 1,65%. Na máxima, a divisa norte-americana bateu R$ 5,608, enquanto a mínima não passou de R$ 5,492. A moeda fechou a véspera com alta de 1,72%, cotada a R$ 5,514. A divisa fecha a semana com alta de 4,08%, e registra valorização de R$ 2,39% no mês. Em 2021, o dólar já cresceu 8,03% ante o real.

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) fecharam a semana com queda de 4,92% com os rumores de que Brandão está de saída do comando da estatal após os desgastes gerados com a intervenção de Jair Bolsonaro (sem partido) na Petrobras. Em fato relevante, o BB diz que o presidente não pediu demissão. O presidente do Banco do Brasil, que assumiu o cargo em setembro do ano passado após a saída de Rubem Novaes, está em rota de colisão com Bolsonaro desde o início do ano, após o BB anunciar um programa para redução de agências e demissão voluntária. Na última semana, Brandão afirmou que o clima havia sido resultado de uma falha de comunicação entre as partes. À época, os boatos de saída do bancário também derrubaram as ações do BB no mercado.

Investidores seguiram acompanhando as discussões em Brasília para a retomada do auxílio emergencial. A PEC Emergencial, que abre espaço no orçamento para as novas rodadas do benefício, deveria ter sido votada no Senado nesta quinta-feira, 25, mas a votação foi adiada pela falta de consenso entre as lideranças. Também nesta quinta, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, ressaltou que o auxílio deve vir acompanhado das contrapartidas de cortes de gastos obrigatórios. “Sei que o Congresso vai fazer a coisa certa e consegue enxergar isso: que é fundamental andar com as duas coisas [auxílio emergencial e contrapartidas] concomitantemente”, disse. “Para andar com o auxílio, que tem um custo, essa contrapartida, que garante uma sustentabilidade no futuro, é o que vai permitir que as taxas de juros continuem baixas, que o Brasil tenha boa percepção de risco [no mercado financeiro]”, afirmou Funchal. Investidores temem que o texto seja dividido e que o benefício seja liberado antes que o Legislativo chancele as cláusulas de calamidades semelhantes à PEC de Guerra aprovada em 2020 e que tira a despesa do limite do teto de gastos. Lideranças do Congresso se opuseram à aprovação de contrapartidas para a liberação do benefício e classificaram a imposição do governo federal como “chantagem.” A expectativa é que o texto seja colocado em votação na próxima terça-feira, 2.

O mercado também analisou avanço do desemprego para 13,5%, em 2020, o maior desde 2012, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. O Brasil fechou o ano passado com população desocupada de 13,9 milhões de pessoas. O resultado para o ano interrompe a queda na desocupação iniciada em 2018, quando ficou em 12,3%. Em 2019, o desemprego foi de 11,9%. De acordo com o IBGE, o índice recuou para 13,9% no quarto trimestre, depois de atingir 14,6% nos três meses anteriores. Apesar da queda, o número representa crescimento de 19,7% em relação ao mesmo trimestre de 2019, quando o número era de 11,6 milhões de desempregados.