Entenda o que pode acontecer com os quase 100 mil funcionários dos Correios após a privatização
No último dia 5, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto de lei que permite a privatização dos Correios, transformando a estatal em uma empresa de economia mista. Ao todo, 286 deputados apoiaram a proposta, enquanto 173 se posicionaram de forma contrária ao texto. A proposta segue para análise do Senado. O substitutivo aprovado pelo deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA) prevê que o monopólio de serviços postais deve ficar com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) por mais cinco anos. Além disso, o texto-base prevê que os quase 100 mil funcionários dos Correios terão uma estabilidade de 18 meses após a privatização da empresa, não podendo ser demitidos sem justa-causa. A estimativa é de que o leilão aconteça ainda no primeiro semestre de 2022. Para entender o que poderá acontecer com os colaboradores, a Jovem Pan conversou com Priscila Kirchhoff, sócia da área trabalhista do escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe, e com Thiago do Val, que é professor da Pós-Graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.
O que configura uma demissão por justa causa?
O texto aprovado pelos deputados estipula que, durante a estabilidade, os funcionários só poderão ser demitidos por justa causa. Thiago explica que a ferramenta só é utilizada em casos de medida extrema e que, normalmente, ela não é usada como primeira opção em casos dentro das empresas. “A justa causa é acompanhada de alguma falta grave do trabalhador e é tida como medida extrema, ou seja, existe o processo de apuração da falta grave e muitas vezes é necessário tomar medidas mais brandas como advertência antes da demissão”, diz o advogado.
[jp-related-posts ids=”1145489,1145484,1145411″]
Os funcionários podem ser demitidos dentro da estabilidade?
Dentro da estabilidade de 18 meses prevista pelo PL, os funcionários não poderão ser desligados da empresa. Entretanto, caso a empresa desrespeite a determinação, existem diversas alternativas que os funcionários podem tomar. Segundo Kirchhoff, uma das medidas é “ingressar com uma liminar perante a Justiça do Trabalho requerendo a sua imediata reintegração para que volte a ocupar a mesma função com os mesmos direitos trabalhistas”. “Outra opção, caso o empregado estável entenda não ser possível voltar a trabalhar naquela empresa, é o ajuizamento de ação trabalhista com o pedido de pagamento de uma indenização que seria equivalente aos salários e demais direitos trabalhistas que ele teria direito se não tivesse sido desligado. Nesse sentido, se o trabalhador ainda detivesse três meses de estabilidade, por exemplo, seriam devidos salários e demais direitos trabalhistas por esse período”, continua Kirchhoff. Ainda de acordo com a advogada, existe a possibilidade de os funcionários pedirem indenização por danos morais e materiais.
O que é o Plano de Demissão Voluntária (PDV) mencionado no texto?
No texto-base aprovado, fica estabelecido que a empresa deverá oferecer um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para os funcionários e que, ao aderir, os colaboradores terão direito a indenização de 12 meses e planos de requalificação. Kirchhoff diz que, por ser algo voluntário, os funcionários não são obrigados a aceitar e que nenhuma sanção pode ser aplicada a eles. A advogada também afirma que o PDV gera benefícios para os empregadores, mas exige uma contrapartida. “A vantagem para os empregadores é a quitação geral que o PDV gera. Em outras palavras, os empregados que fizeram parte do programa não podem litigar na justiça do trabalho contra o empregador. A contrapartida para os empregados usualmente envolve o pagamento de uma indenização em valor considerável e auxílio para reinserção no mercado, como no caso desse PL”, explica.
A privatização pode representar riscos para os direitos trabalhistas dos funcionários?
Na visão de Thiago, a privatização dos Correios não implica, necessariamente, na perda de direitos trabalhistas para os funcionários, uma vez que a gestão que assumir o comando da empresa deve fazer uma análise de desempenho. “Depende muito do desempenho dos próprios trabalhadores, pois como deveria ocorrer em qualquer gestão deve haver análise de desempenho e fluxos de trabalhos. Trabalhadores que cumprem a sua função normalmente não são prejudicados, inclusive porque toda empresa de anos precisa desse histórico de trabalho para as melhorias do futuro”, afirma o advogado. Kirchhoff, por sua vez, cita os debates sobre terceirização e privatização e esclarece que nenhum deles necessariamente leva à perda de direitos. “Acredito que, se a empresa que vier a adquirir a ECT fizer uma boa gestão, os temidos prejuízos não devem ocorrer. Tal como se debate em relação à terceirização, a privatização não implica necessariamente na perda ou redução de direitos”.
continue lendo
Macroeconomia
Cotado para Fazenda, Fonteles reduziu dívida no Piauí, mas teve déficit em metade dos anos
Quando ele assumiu a secretaria, em 2015, o estado encerrou o ano com uma dívida de cerca de 57% em relação à Receita Corrente Líquida (RCL). A proporção foi caindo até chegar ao valor mais baixo em 2020 (37%)
- BC decreta liquidação extrajudicial da Credipaiva por grave violação de normas Estadão Conteúdo · há 2 semanas
- Presidente da Faesp critica aprovação do fim da escala 6×1 e fala em riscos ao agronegócio Jovem Pan · há 3 semanas
- BC reduz taxa de juros a 13,75% ao ano Júlia Mano · há 2 meses
- Fecomércio vê impacto relevante no comércio com fim da escala 6×1 Jovem Pan · há 2 meses